R&L no Vidas Alternativas Edição nº51
2006-10-30 - Ligação
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Na intervenção da R&L, António Serzedelo e Luís Mateus conversam sobre o conceito da laicidade.
por uma república secular e laica, por uma sociedade livre, aberta, inclusiva e justa
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Na intervenção da R&L, António Serzedelo e Luís Mateus conversam sobre o conceito da laicidade.
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Congresso da ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES DE HISTÓRIA
2, 3, 4 de Novembro nos Auditórios da Universidade Lusófona
HISTÓRIA E RELIGIÕES: ESTUDAR E ENSINAR
“Nos últimos anos, na paisagem académica dominava uma concepção que declarou a religião sobretudo como uma fórmula interior do indivíduo. Foi diagnosticado, nomeadamente sob os tópicos da «privatização» e da «secularização», quase um declínio absoluto da religião dentro da esfera pública. Contudo, o notável aumento das pesquisas recentes sobre o papel das religiões nas sociedades ocidentais modernas comprova exactamente o contrário. O regresso visível da religião para a vida contemporânea provocou alterações significativas em algumas ciências culturais, tais como na sociologia, na etnologia, na filosofia, nas ciências políticas ou históricas. Um dos resultados destes processos foi a observação de que a religião continua a ser um instrumento importante para a autodeterminação de uma sociedade. Esta nova e inesperada importância das religiões exige também uma nova orientação nos estudos das religiões que já não permite uma «definição» da religião e obriga ao mesmo tempo a investigações sob perspectivas diferentes. O intuito deste colóquio é uma tentativa de apresentar algumas destas perspectivas.”
“Para além da apresentação das perspectivas mais recentes nos estudos das religiões, o objectivo principal deste colóquio é, a médio prazo, o estabelecimento e a continuação dos estudos das religiões em Portugal. Tendo em conta a crescente actualidade das orientações religiosas, trata-se de uma intenção que ganha cada vez mais importância, especialmente na observação de uma sociedade contemporânea.”
acesso a: Programa do Congresso (pdf)
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FUMAR OU NÃO FUMAR EM LOCAIS PÚBLICOS – «laicismo» e «laicidade» em situações de conflitualidade não confessional
Contrariamente à concepção que, com frequência – e tendenciosamente –, se pretende fazer passar para a opinião pública, o «laicismo» constitui um dos princípios racionais basilares que enformam o contrato social que deve organizar as nossas sociedades modernas e cosmopolitas, visando a que elas possam ser amplamente livres, abertas e inclusivas, ao invés das sociedades tradicionais que, assentando em modelos identitários (de matriz étnica, histórica, religiosa, territorial, etc.), tendem a valorizar a padronização e a assumir-se, assim, necessariamente, em moldes totalitários.
A «laicidade» – ou seja, o/s modo/s de aplicação do «laicismo» – visa, afinal, num gesto de tolerência racional, alargar, tão amplamente quanto possível, o universo das livres escolhas individuais no seio de uma sociedade e, assim, permitir a expressão da/s diversidade/s – religiosa, ideológica, étnica/cultural, filosófica, estética, etc. – precisamente aí, nesses domínios onde as sociedades de matriz tradicionalista, recusam aceitar sair da norma simples da replicação comportamental, norma essa que, tantas vezes confundida com o exercício de um poder democrático maioritário, mais não é, afinal, do que uma primaríssima aplicação de uma igualmente primária – natural e irracional – «lei do mais forte».
«Laicismo» e «laicidade», contrariando também o discurso (ainda) costumeiro entre nós, não têm portanto que ver, necessariamente e em exclusividade, com as questões potencialmente conflituais de cariz religioso ou confessional.
Serve este prelúdio para introduzir o texto que aqui se anexa e que se refere a um excelente exemplo de aplicação do «laicismo» – do princípio «laicista» – a uma situação muito usual e que em nada se relaciona com a questão religiosa: o acto, hoje ainda tão frequente de os fumadores de tabaco se permitirem – e de também lhes ser permitido – o fumar em espaços públicos.
Lembra-nos muito bem Richard Hinkel Jr., o autor do texto recentemente publicado no jornal «Público» [12/10/2006], que “A liberdade do indivíduo acaba onde colide com a do próximo” (…) “o fumador reclama para si a livre opção entre fumar e não fumar” contudo “têm [terão] a mesma liberdade de opção os não fumadores que se encontram perto?”
acesso ao documento integral: arquivo R&L (pdf)
Perante o choque das duas «liberdades», perante o conflito entre a liberdade do fumador fumar e a liberdade de o não fumador não fumar, prevalece a solução de compromisso que, instituindo a interdição para o fumador de fumar na generalidade dos espaços públicos e remetendo o exercício da sua opção de fumar para um espaço reservado para esse efeito – um espaço «privado» do grupo dos fumadores –, menos afecta a ambos os interessados, permitindo, afinal, a expressão condicionada de ambas as possibilidades de escolha.
Dizia o Padre Lacordaire “Entre o forte e o fraco, é a liberdade que oprime e a Lei que liberta”
A propósito: lembram-se do «cartoon» de José Bandeira publicado no Diário de Notícias, aquando do conclave que elegeu o actual Papa católico?
Aqui o recordo:

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PERANTE O ESTATUTO DO IPSAR, VITAL MOREIRA DEFENDE A POSIÇÃO LAICA
Citando Jónatas Machado «Nem o Estado pode utilizar a religião para fins políticos nem a religião pode usar o Estado para fins religiosos.» (Diário de Notícias), Vital Moreira, no seu blogue «CAUSA NOSSA», vem acrescentar a seguinte consideração: «Se o tal instituto católico do Estado em Roma não for pura e simplesmente extinto no âmbito do PRACE, o mínimo que se pode exigir é que ele seja liberto das suas funções religiosas…»
Na associação R&L estamos, evidentemente de acordo com essa sua posição/sugestão.
acesso a: documento original
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UM BLOGUE QUE DISCORDA DA POSIÇÃO TOMADA PELA R&L FACE AO ESTATUTO DO IPSAR
No «blog» PORTUGAL DOS PEQUENINOS, João Gonçalves discorda da posição que a associação R&L assumiu publicamente perante o facto de, no Portugal republicano e laico do início do século XXI, existir um Instituto Português de Santo António em Roma (IPSAR) que goza de um Estatuto (datado de 1952) clara e obviamente incompatível com a laicidade constitucional do país.
Nos comentários ao seu «post», há também quem o contradiga.
acesso a: documento original
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IPSAR – UM PECULIAR ESTATUTO DE 1952… !
Ainda no seguimento da carta enviada pela associação R&L ao Ministro das Finanças, fomos procurar o estatuto por que se rege o IPSAR, e deparámo-nos com uma situação deveras peculiar, tendo em vista o facto de se tratar de uma instituição que tem muito simplesmente em vista manter ao culto uma igreja – arquitectonicamente notável, diga-se –; gerir uma biblioteca; realizar cursos de língua e cultura portuguesa, promover exposições e concertos e assegurar alojamento a alguns bolseiros (não sabemos quantos nem quais os critérios que presidem à sua escolha).
Na verdade, o IPSAR, além de ter necessariamente como Reitor um sacerdote português – católico, entenda-se – proposto pelo embaixador de Portugal junto da Santa Sé, tem ainda outras curiosas prorrogativas, tais como a de estar sob a «protecção» do mesmo embaixador, a quem também compete a especial missão de “patrocinar os objectivos espirituais e materiais da instituição” e que também “poderá tomar quaisquer providências extraordinárias a bem dos interesses da instituição, justificando-as imediatamente perante o Governo”…
Originais e peculiares prorrogativas, na verdade, para um mero instituto cultural do Estado Português no estrangeiro !
Porque esse estatuto data de 1952 – de plena época salazarista, portanto –, de um tempo em que o Estado Português e a Igreja Católica mantinham uma relação muitíssimo estreita, aqui o deixamos inteiramente exposto ao nosso olhar de 2006 – supostamente mais laico…!!!
acesso a: Estatutos do IPSAR – arquivo R&L (pdf)
acesso a: IPSAR no Anuário do Ministério das Finanças de 2006 – arquivo R&L (pdf)
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No seguimento da carta que a associação R&L remeteu ao Ministro das Finanças a questionar a muito peculiar situação que o Instituto Português de Santo António em Roma tem perante a República Portuguesa, o jornal Diário de Notícias publicou, hoje, uma interessante notícia onde, pela boca do seu Reitor, Msr. Agostinho Borges, se ficou a saber que o IPSAR está a ser unicamente financiado por rendimentos do respectivo património.
Por seu turno, o constitucionalista da Universidade de Coimbra Jónatas Machado, lembrando que “os velhos hábitos custam a mudar”, vem aí sublinhar que “nem o Presidente da República nem o primeiro-ministro são príncipes da cristandade”, que “não têm de promover o culto católico” e que “nem o Estado pode utilizar a religião para fins políticos nem a religião pode usar o Estado para fins religiosos.”
acesso a: documento original e arquivo R&L (pdf)
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Carta da associação cívica R&L ao Ministro das Finanças a propósito do
INSTITUTO PORTUGUÊS DE SANTO ANTÓNIO EM ROMA
Nesta data e a propósito da estranha existência e manutenção de um estranho – aparentemente muito «devoto» – Instituto Português de Santo António em Roma (IPSAR), a associação cívica República e Laicidade remeteu ao Sr. Ministro das Finanças a seguinte carta:
Gabinete do Ministro de Estado e das Finanças,
Avenida Infante D. Henrique, 1149-009 Lisboa [gab.mf@gov.pt]
15 de Outubro de 2006
Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado e das Finanças,
Sr. Professor Doutor Fernando Teixeira dos Santos,
Constatámos ainda que o referido instituto promove, como suas actividades principais, o «exercício de actos do culto católico» e a realização de «actividades culturais», onde, frequentemente, também se pode constatar um idêntico e forte cariz religioso.
Desse modo,
Considerando o princípio constitucional de separação entre Estado e Igrejas e o entendimento daí decorrente de que a República Portuguesa – aparte as excepções, em nosso entender lamentáveis, também legalmente consignadas na Lei (nomeadamente as capelanias) – não deve sustentar o culto religioso, seja de que religião for, nem remunerar membros do clero, nessa sua qualidade, pelo exercício de actividades de culto;
Constatando que o IPSAR não tem a sua contabilidade facilmente acessível à consulta pública e uma vez que, a partir de 2004, o Ministério das Finanças deixou de disponibilizar, designadamente nos mapas «Receitas Globais dos Serviços e Fundos Autónomos» do Orçamento do Estado, o quantitativo dos dispêndios que a manutenção daquele estabelecimento acarreta para o erário público nacional;
Considerando que, em deliberação recentemente tomada pelo Conselho de Ministros da República Portuguesa (resolução 39/2006, DR, I-B, de 21 de Abril), no âmbito do «Programa para a Modernização da Administração Central do Estado» (PRACE), o IPSAR não só é mantido – em confronto com uma inexorável extinção de outros institutos –, como ainda, no processo de redefinição organizacional de estruturas e recursos da administração central, é feito transitar para a dependência do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE);
Considerando ainda que estamos em véspera da entrega na Assembleia da República, para análise e debate pelos Deputados da República, da proposta de Orçamento de Estado para 2007;
Vimos solicitar a Vossa Excelência, Senhor Ministro das Finanças, que nos esclareça detalhadamente sobre as seguintes matérias:
Sem outro assunto, subscrevemo-nos
a bem da República
Luis Mateus (presidente), Ricardo Alves (secretário)
acesso a: arquivo R/L (pdf)
acesso a: IPSAR no Anuário do Ministério das Finanças de 2006 – arquivo R&L (pdf)
nota: embora o antigo «site» do Instituto tenha sido entretanto desactivado, existe um (novo?) «site» do IPSAR, todo redigido em italiano (?!).
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Do vivo debate sobre República e Laicidade que ontem teve lugar em Coimbra, aqui fica esta imagem (um tanto difusa, convenhamos…):
foto: Fernando Rosas e Carlos Esperança

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REPÚBLICA E LAICIDADE EM COIMBRA
5ªfeira - 12 de Outubro, pelas 21:45 h, na Galeria Sta Clara em Coimbra
Conversas Diversas
Organizado pelo Bloco de Esquerda de Coimbra, o próximo debate «CONVERSAS DIVERSAS» contará com a presença de Fernando Rosas (BE) e Carlos Esperança (Associação República & Laicidade).
acesso a: agenda do BE (Coimbra)