Fevereiro 2007

Declaração de Bruxelas

Arquivado em: Laicidade, R&L/Campanhas, União Europeia.

A Associação República e Laicidade subscreve a seguinte Declaração de Bruxelas.

«Nós, o povo da Europa, aqui afirmamos os nossos valores comuns. Não se baseiam numa só cultura ou tradição, mas assentam em todas as culturas que conformam a Europa moderna.

    Afirmamos o valor, a dignidade e autonomia de cada indivíduo e o direito de todos à maior liberdade possível compatível com os direitos dos outros. Defendemos a democracia e os direitos humanos e procuramos o maior desenvolvimento possível de cada ser humano.
    Reconhecemos o nosso dever de cuidar de toda a Humanidade incluindo as gerações vindouras e a nossa responsabilidade e dependência da Natureza.
    Afirmamos a igualdade de homens e mulheres. Todas as pessoas devem ser tratadas de igual forma perante a lei, independentemente de raça, origem, crença religiosa, idioma, género, orientação sexual ou capacidades.
    Afirmamos o direito de todos a adoptarem e seguirem uma crença ou religião da sua escolha. Mas as crenças de qualquer grupo não podem ser utilizadas para limitar os direitos dos outros.
    Defendemos que o Estado deve permanecer neutro em questões de religião e crença, sem favorecer nem prejudicar ninguém.
    Defendemos que a liberdade pessoal deve ser combinada com a responsabilidade social. Procuramos criar uma sociedade justa baseada na razão e na compaixão, na qual cada cidadão possa desempenhar plenamente o seu papel.
    Defendemos tanto a tolerância quanto a liberdade de expressão.
    Afirmamos o direito de todos a uma educação aberta e completa.
    Rejeitamos a intimidação, a violência e a incitação à violência na resolução de disputas e defendemos que os conflitos devem ser resolvidos através da negociação e por meios legais.
    Defendemos a liberdade de investigação em todas as esferas da vida humana e a aplicação da ciência ao serviço do bem-estar humano. Procuramos usar a ciência de forma criativa, não destrutiva.
    Defendemos a liberdade de criação artística, valorizamos a criatividade e a imaginação e reconhecemos o poder transformador da arte. Afirmamos a importância da literatura, da música e das artes visuais e do espectáculo para o desenvolvimento e realização do ser humano.
    25 de Março de 2007, no 50º aniversário do Tratado de Roma e da fundação da União Europeia»

Convidamos os nossos associados e simpatizantes a assinarem esta declaração.

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Vidas Alternativas Edição nº65

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Vidas Alternativas 65 - 26 de Fevereiro de 2007

Neste programa demos a maior importância ao caso do tribunal de
Lisboa, que exige que uma médica de familia entregue a ficha clínica de
uma mulher,eventualmente dedicando-se à prostituição,com o objectivo
de saber ,se é ,ou não, seropositiva. Eventual recuo grave na questão da
luta contra a sida,porque se a médica obedecer,ninguem mais terá
confiança no sigilo dos médicos,e quererá fazer análises.Ordem dos
Médicos e GAT,Grupo de Activistas dos Tratamentos pronunciaram-se.Por
isso, ouvimos Luis Mendo, do Gat.

Guilherme de Melo,escritor e jornalista é o nosso segundo convidado.Teve
um ano mau:desgostos e saude.Está sair do tunel.Fala do referendo e
aponta o dedo aos culpados(Igreja sobretudo), pelo atraso em que
estamos.Refere os seus projectos literários e investigativos.Um grande
conversador que merece bem a enorme salva de palmas, espontânea ,que
lhe ofereceu o público na festa da “Abraço”, do dia 1 de Dezembro
passado.

A Liliana Azevedo e a Margarida Martins,ambas da Associação Mulheres
Contra Violência ,respondem à Inês Branco e mim próprio sobre sobre o
“bullyling” nas escolas,ou seja, a nova e crescente violência a que os
jovens estao sujeitos,e os perigos que isto levanta a médio e longo
prazo ,para as vÍtimas e para os agressores.

Joao Moura da “República e Laicidade” atira-se ao Dr Alberto j.
Jardim,a propósito daquilo a que e chama o “Golpinho da Madeira”, a
sua demissão,e explica porque acha que já no devem haver “Regiões
Autónomas”.

Noticias: Ano Europeu pela Igualdade de Oportunidades, 1 ano desde a
morte da Gisberta,decisão do Supremo Tribunal de Espanha dando razão
aos bispos pelo despedimento de uma professora de religião e moral de
uma escola pública , por estar vivendo em união de facto,o que é
contrário à moral da igreja, e apresentação da Declaração de
Bruxelas,dos grupos laicos e católicos progressistas,
http://www.visionforeurope.org
comemorativa dos 50º anos de fundação da União Europeia.

Referimos no final, duas cartas de ouvintes:uma queixa sobre eventual
discriminação da policia , dirigida a um automobilista estacionado em
Belém, e a denúncia de uma mensagem homofóbica, inserida numa tee-shirt
em promoção(5 euros), numa loja de Agualva-Sintra.
Musica : a dos vencedores da Dinamarca para o próximo festival da
Eurovisão:uma dragqueen com “Drama Queen” .

O editor
António Serzedelo
Vidas Alternativas

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Vidas Alternativas Edição nº64

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Vidas Alternativas 64 - 26 de Fevereiro


Este VA nº64, começa com uma entrevista com Bruno Mateus ,jornalista do
C.M, sobre uma reportagem que ele realizou à cerca da violência
doméstica no casal homossexual.
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Vital Moreira, lúcido, faz análise no jornal «Público» [13/02/07]

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VITAL MOREIRA ANALISA RESULTADOS DO REFERENDO

Em artigo de opinião, Vital Moreira analisa, hoje, no jornal «Público» os resultados do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez. De entre muitas outras asserções do seu texto, sobressai esta:

“Decididamente, ela [a Igreja Católica] deixou de comandar a consciência moral dos portugueses e as opções políticas do Estado. A separação entre o Estado e a religião deu um decisivo passo em frente. O Código de Direito Canónico deixou de ser lei constitucional entre nós.”

acesso a artigo: arquivo/R&L (pdf)

Claramente e felizmente , o mito rural que teima em sustentar um olhar, uma afirmação e uma utilização de Portugal como um «país católico» está-se rapidamente a desmoronar.

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Referendo - IVR

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Referendo - IVR

O 11 de Fevereiro de 2007 ficará na história como o dia em que os portugueses deram público testemunho da Interrupção Voluntária da Religião (IVR).

O Cânone 1331 do Direito Canónico o Código Penal das Almas , determina que os que votaram SIM no referendo «não podem casar, baptizar-se e nem poderão ter um funeral religioso» como explicou pacientemente o compassivo cónego Tarcísio Alves.

A Conferência Episcopal Portuguesa, perdido o medo do Inferno, arrisca-se a ter de indemnizar os crentes pelo tempo perdido em missas, novenas, terços, orações e outros pios devaneios.

Esta excomunhão automática, tão grave que nem os padres a podem retirar, alienou ao santo rebanho 2.338.053 ovelhas com as quais deixaram de poder argumentar nas transacções com o Estado e na chantagem dos números.

Deus deve ter ficado muito zangado com os portugueses, como assevera o clero. Mas, que pode um mito contra a força do voto, o exercício da democracia e a libertação do dogma?

A Senhora de Fátima, que chorava lágrimas de sangue em muitos panfletos, nas caixas do correio, esvaiu-se com os resultados, entrou em estado de choque e teve de fazer uma curetagem ao saco lacrimal.

Por algum tempo a Igreja vai deixar de atirar placentas aos olhos dos crentes e de arremessar fetos às mochilas das crianças dos colégios religiosos.

Carlos Esperança

[publicado originalmente no Diário Ateísta] 

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O mito do «povo português católico» no JN [13-02-07]

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O MITO DO “POVO PORTUGUÊS CATÓLICO”

Se alguma coisa deu para concluir, neste referendo, foi que a ideia comezinha do “povo português católico” caiu por terra…

O “bom povo” sabia muito bem que a Igreja católica é contra o aborto. Qualquer aborto. Mesmo que em caso de perigo de vida para a mãe, malformação do feto ou violação.

A Igreja católica é sempre contra o aborto.

Embora a Igreja não tivesse uma participação notória nesta campanha, em termos de episcopado e presbíteros, as suas organizações de leigos participaram intensamente. Com destaque para um folheto demagógico e caviloso que diversas organizações católicas andaram a distribuir pelas caixas de correio.

Perderam!

Assim, não faz sentido, doravante, falar-se do “povo português católico”, como hipotético referencial de valores cívicos, ou outros, ou de pretenso semáforo para a determinação de medidas políticas.

A noção de “povo português católico” é, actualmente, um mito!

Saibam os políticos ter isso bem presente e não liguem, de ora em diante, às vozes canoras e morigeradoras do clero e seus apaniguados.

E das duas, uma:

- ou os portugueses, mesmo dizendo-se maioritariamente “católicos”, não ligam, maioritariamente, ao preceituário “moral” da sua Igreja…

- ou os portugueses “católicos” são-no à sua maneira, isto é, são-no à revelia da Igreja, o que redunda num catolicismo inconsequente e inconsistente…

…E é o que tal transparece nos, apenas, cerca de 10 a 15% de “católicos” que frequentam a missa dominical… 

João Pedro Moura

acesso a: arquivo/R&L (pdf) 

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o Estado a ajustar-se a uma sociedade em mudança

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Terramoto: o Estado a ajustar-se a uma sociedade em mudança

A laicidade avança quando os debates sobre as leis do Estado são racionais e pragmáticos, e não teológicos e dogmáticos. Quando os crentes aceitam raciocinar sobre a res publica pondo de lado os argumentos do clero que lhes exige obediência, e preocupando-se em primeiro lugar com a comunidade política que existe tanto para eles como para os ateus, a fé passa finalmente a ser um assunto privado e não político. Deu-se um passo importante nesse sentido na campanha para o referendo de ontem (muito mais do que em 1998, alguns católicos leigos assumiram abertamente o seu voto pela despenalização; o único sacerdote católico que o fez claramente foi o Mário de Oliveira).

A ICAR, principalmente a hierarquia e a sua ala mais reaccionária, sofreram a sua maior derrota desde o 25 de Abril. Tinham-se empenhado muito mais do que em 1998, quando partiram do princípio de que o «sim» ganharia e tentaram desvalorizar o referendo fazendo um apelo misto ao «não» e à abstenção. Desta vez envolveram-se a fundo, desde a CEP até aos movimentos de leigos, o que ajuda a explicar que o «não» tenha obtido mais 200 mil votos do que em 1998. No entanto, as maiores subidas percentuais do «sim» deram-se nas regiões mais conservadoras.

Os políticos derrotados neste referendo chamam-se António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa. Em 1998, após o Parlamento votar favoravelmente a despenalização, reuniram-se em privado, talvez tenham orado, e decidiram criar um obstáculo à legalização da IVG. Lideravam os dois maiores partidos nacionais e pensaram sobretudo no interesse da igreja a que pertenciam. Por responsabilidade deles, as mulheres que abortaram na última década fizeram-no na clandestinidade.

O Estado começa agora a acertar o passo com uma sociedade que desde o 25 de Abril se tem secularizado rapidamente (de 1973 até 2005, os casamentos civis passaram de 18% para 45%; os nascimentos fora do casamento, de 7% para 31%; os divórcios, de 1 por cada 100 casamentos para 47 por cada 100 casamentos; os católicos praticantes passaram de 2,44 milhões em 1977 para 1,93 milhões em 2001). Se o «sim» tivesse ganho em 1998, os debates posteriores sobre a Lei da Liberdade Religiosa de 2001 e a Concordata de 2004 teriam sido diferentes.

Perderam os que acreditam que o problema do aborto clandestino se resolve fechando os olhos à realidade e fazendo sermões às mulheres. Ganharam os que preferem enfrentar os problemas, por difíceis que sejam. Ficou mais claro, para os católicos praticantes ou para os católicos culturais, qual é a diferença entre um crime e um pecado, entre uma lei do Estado e uma questão pessoal com a própria religião. Nesse sentido, ganhámos todos.

Ricardo Alves

[publicado originalmente no Diário Ateísta]

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Vidas Alternativas Edição nº63

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Vidas Alternativas 62 - 5 de Janeiro de 2007


Começamos este VA com uma conversa a quatro,Margarida Martins, e
Liliana Azevedo da Associaçao das Mulheres Contra a Violência
propósito da segurança dos jovens na internet , com Ines Branco e eu
proprio , pelo VA.
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RTP/RDP tomou partido no referendo

Arquivado em: Actividade R&L, R&L/Comentários.

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A RTP/RDP QUER QUE HAJA MUITOS VOTOS «NÃO» NO REFERENDO DA IVG…

A empresa pública de rádiotelevisão e rádiodifusão RTP/RDP empresa onde se integra a RDP/Antena-1 , invocando a necessidade de manter «isenção» perante o referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, impediu (leia-se: censurou), ontem, a emissão do programa «O AMOR É…», de Júlio Machado Vaz e Ana Mesquita, onde aqueles autores defendiam a sua opção pelo voto «sim».

Visivelmente, a empresa pública RTP/RDP tem muita dificuldade em perceber o que possa ser a «isenção»: na verdade, nos seus diversos emissores e canais, durante o período de campanha e claramente fora dos tempos de antena especialmente destinados a apresentar as posições em confronto na consulta popular sobre a despenalização da IVG, a RTP/RDP difundiu diariamente programas confessionais, designadamente católicos e evangélicos, onde o apelo ao voto «não» foi descaradamente proclamado; emitiu programas de autor em que idêntico apelo ao voto «não» foi claramente assumido o programa de Marcelo Rebelo de Sousa terá sido porventura o mais visível e…, depois…, fez valer a necessidade de «isenção» na edição de um programa em que o apelo ao voto «sim» era, de modo idêntico, defendido.

São os impostos de nós todos que sustentam estas práticas de uma empresa pública que deveria prestar serviço público – é bom não esquecer…!!!

acesso a: notícia original / arquivo/R&L (pdf)

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R&L - novo apelo à Comissão Nacional de Eleições (CNE)

Arquivado em: Actividade R&L, R&L/Cartas e petições.

ASSOCIAÇÃO R&L FAZ APELO À CNE

No âmbito do actual processo de referendo sobre a despenalização da interrupção vountária da gravidez, a Associação Cívica República e Laicidade solicitou hoje à Comissão Nacional de Eleições (CNE) que intervenha decididamente nas situações que, envolvendo sobretudo a Igreja Católica portuguesa, violaram ou vierem ainda a violar a Lei Orgânica do Regime de Referendo (LORR), quer diligenciando, junto do Ministério Público, a investigação de todas aquelas que vieram noticiadas na Imprensa – tendo em vista posterior procedimento criminal se para tal existir motivo –, quer tomando as medidas necessárias para que as iniciativas entretanto anunciadas para a véspera e dia do referendo não possam ter efectivamente lugar.

acesso a:

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