Janeiro 2008

Conferência «Do 28 de Janeiro ao 5 de Outubro»

Arquivado em: R&L/Artigos, República.

Disponibiliza-se o texto da conferência de Francisco Carromeu na Biblioteca Museu República e Resistência, no dia 29 de Janeiro:

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Memória do 31 de Janeiro de 1891

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EM MEMÓRIA DOS REPUBLICANOS QUE, NA CIDADE DO PORTO, A 31 DE JANEIRO DE 1891, TENTARAM IMPLANTAR A REPÚBLICA EM PORTUGAL

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O 31 de Janeiro de 1891

Em Portugal, nos finais do século XIX, na ausência de qualquer solução para a crise económica, social e política, a monarquia agonizava. Depois da conferência de Berlim, em 1885, o projecto português de ligar Angola a Moçambique colidiu com o plano inglês de ligar o Cairo ao Cabo (África do Sul).

A disputa do território africano que ficaria conhecido por mapa cor-de-rosa culminou com o Ultimatum, imposição do império inglês a Portugal, tão humilhante que inflamou o fervor republicano e o ódio ao trono e à Inglaterra.

Os ideais republicanos continuaram a seduzir os portugueses e a ganhar força à medida que a monarquia se esgotava, a pobreza aumentava e o sentimento colectivo, de vergonha e ressentimento, se acentuava.

«A Portuguesa» foi o hino que surgiu do ódio generalizado que cada vez mais se identificou com as aspirações republicanas que germinam nos quartéis, na maçonaria e nos meios académicos. O Partido Republicano, até aí pouco expressivo, ganhou adesões e consistência.

Entre os militares destacavam-se os sargentos no fervor republicano donde viria a surgir a primeira tentativa para implantar a República. Coube ao Porto a honra dessa tentativa falhada que contou com alguns oficiais em que se distinguiu o alferes Malheiro e, ainda, o capitão Leitão e o tenente Coelho.

Com a banda da Guarda-Fiscal à frente, os militares republicanos avançaram ao som de «A Portuguesa» e assaltaram o antigo edifício da Câmara do Porto de cuja varanda, perante o entusiasmo da população que se juntou ao movimento, se ouviu o discurso de um dos lideres civis da revolta, Alves da Veiga, que proclamou a República.

Falhado o objectivo de ocupar o Quartel-General e o edifício do telégrafo, donde se anunciaria a todo o País a proclamação da República e a deposição da Monarquia, o movimento soçobrou perante a Guarda Municipal.

O exemplo dos revoltosos de 31 de Janeiro de 1891 frutificaria, menos de duas décadas depois, em 5 de Outubro de 1910. Eles foram os protagonistas de uma derrota que foi a semente da vitória que tardaria quase duas décadas.

Foi há 117 anos mas a memória histórica dos protagonistas do 31 de Janeiro está viva e é dever honrá-la.

Carlos Esperança

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100 anos da Revolução (falhada) de 28 de Janeiro de 1908

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HÁ 100 ANOS, O PAÍS A FERRO E FOGO: REVOLUÇÃO REPUBLICANA (FALHADA) DE 28 DE JANEIRO DE 1908

Em reacção às violentas perseguições desencadeadas pelo ditador João Franco sobre os muitos críticos do seu regime e, muito especialmente, sobre os militantes anti-monárquicos , a 28 de Janeiro de 1908, os republicanos portugeses levaram a cabo uma primeira tentativa revolucionária que correu mal e acabou por se saldar por mais prisões de opositores ao regime todas as principais figuras do Partido Republicano, inclusive , com a grave perspectiva (por força de um decreto escrito a 28 de Janeiro e promulgado por Carlos I a 31 de Janeiro) de serem seguidamente enviados para o degredo.


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DUAS CONFERÊNCIAS na Biblioteca-Museu República e Resistência (Câmara Municipal de Lisboa):

na Biblioteca-Museu República e Resistência

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R&L - Correio da associação

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Distribuímos hoje a seguinte mensagem:

1. Exército da República em manifestações monárquicas…!?

Nestes últimos tempos, as (ainda existententes…!) «hostes monárquicas» portuguesas têm andado, muito atarefadas, a promover o «seu» centenário do «1 de Fevereiro», «Dia do Regicídio» e a tentar que ele seja assumido pelos portugueses como um «dia de luto nacional».

Estão no seu direito: na nossa Repúblca os monárquicos têm um quadro legal que lhes permite fazerem, pacífica e democraticamente, a propaganda das suas ideias políticas !

No entanto como é bom de entender , a República não pode dar apoio institucional àqueles projectos (monárquicos e não só) que abertamente visem a sua destruição.

Nesse entendimento, atempadamente e, ao que parece, sem qualquer resultado visível!!! , chamámos a atenção do Ministro da Defesa Nacional e do Chefe do Estado Maior do Exército para uma prevista participação oficial de elementos do Exército Regimento de Lanceiros, Fanfarra do Exército e do Colégio Militar e Grupo de Música de Câmara da Banda Sinfónica do Exército nas manifestações políticas monárquicas manifestações políticas assumidamente anti-republicanas, portanto que terão lugar a 31 de Janeiro e a 1 de Fevereiro próximos.

ver: http://www.laicidade.org/2007/12/20/republica-monarquia

2. Atentado de 1 de Fevereiro de 1908 (Regicídio)

No «site» da associação R&L disponibiliza-se um «dossier» bastante exaustivo (com alguns documentos menos conhecidos) sobre o atentado de 1 de Fevereiro de 1908 (Regicídio)

ver: http://www.laicidade.org/?page_id=1314

Gostaríamos de ver na Praça do Comércio uma placa que fizesse justiça à memória de Manuel Buíça e Alfredo Costa, os dois cidadãos que, a 1 de Fevereiro de 1908, aí mataram a Monarquia, dando a sua própria vida em prol da República e da Liberdade dos portugueses.

ver: http://www.laicidade.org/?page_id=1307

3. Palestra «Do 28 de Janeiro ao 5 de Outubro»

Por serem republicanos, na sua maioria, os portugueses sabem que só a República pode conferir a cada qual um estatuto inteiro de «cidadão» e que só com «cidadãos inteiros» será possível construir o futuro mais livre, mais justo e mais solidário (Constituição da República) que almejamos ter.

Assim sendo, os portugueses, com os olhos mais postos no futuro do que no passado, não querem, decididamente, voltar a ser súbditos de nenhum soberano, seja ele qual for.

Mas o passado também interessa aos republicanos, na exacta medida em que dele podemos colher ensinamentos para o presente e para o futuro.

Nessa perspectiva, a associação R&L promove no próximo dia 29 de Janeiro, na Biblioteca-Museu República e Resistència, uma palestra onde o historiador Francisco Carromeu nos ajudará a recordar os principais intervenientes e os mais relevantes eventos que, historicamente, nos fizeram transitar de uma (velha) Monarquia para uma (primeira) República.

ver: http://www.laicidade.org/2008/01/17/conferencia-1-2008

Saudações republicanas e laicas de

Luis Mateus

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Ainda o Papa e «La Sapienza»…

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GALILEU, RATZINGER E «LA SAPIENZA»

No «Diário Económico», João Almeida Santos vem esclarecer-nos um pouco mais sobre o conflito que opôs o Papa Ratzinger e alguns sectores da Universidade «La Sapienza».

ver: Diário Económico | doc/R&L (pdf)

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«Do 28 de Janeiro ao 5 de Outubro», conferência no dia 29 de Janeiro

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CONFERÊNCIA

«DO 28 de JANEIRO AO 5 DE OUTUBRO»,

por

FRANCISCO CARROMEU,


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na

Biblioteca Museu República e Resistência (Espaço Cidade Universitária, em Lisboa), no dia 29 de Janeiro às 18 horas e 30 minutos, organizada pela ASSOCIAÇÃO REPÚBLICA E LAICIDADE.

RESUMO

Esta conferência assinala o primeiro centenário do movimento republicano de 28 de Janeiro de 1908, lembrando o pulsar político e social de um país então à procura de quadro institucional coerente. Atravessa o período da repressão do 28 de Janeiro e do regicídio que se lhe seguiu no quadro da ditadura de João Franco, entre outros momentos decisivos do final da monarquia.

NOTA BIOGRÁFICA

Francisco Carromeu é professor, licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, autor de um muito completo «Dicionário da Carbonária» (no prelo), e doutorando da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

A Biblioteca Museu República e Resistência fica na Rua Alberto Sousa, 10 A, Zona B do Rego, em Lisboa. Mapa com a localização da Biblioteca Museu República e Resistência

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A Ciência é Laica - Papa desiste de visita a Universidade de Roma

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PAPA DESISTE DE VISITA À UNIVERSIDADE «LA SAPIENZA» DE ROMA

Depois de mais de 60 professores terem apoiado um abaixo-assinado que considerava “incongruente a visita do Papa a uma universidade laica” e de um grupo de estudantes ter lançado uma semana anti-clerical –, com projecção de um filme sobre Galileu (condenado pelo Vaticano pelas suas teorias sobre o Universo), jantar de carne de porco e vinho à descrição –, também face à ameaça de uma forte manifestação sonora se a visita se realizasse, o Papa Bento XVI desistiu a visita que tinha programado realizar à Universidade «La Sapienza», de Roma.

univ-roma-2008-01-001-a.jpg

ver:

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Escola republicana - Comentário de Luís Mateus no VA nº105

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icon for podpress  Escola republicana no VA nº105 [10:13m]: Play Now | Play in Popup | Download

Tomamos a iniciativa de colocar a intervenção de Luís Mateus, presidente da AR&L no programa de rádio Vidas Alternativas Nº105, focando as ameaças à escola laica e republicana na actual reforma do sistema de gestão das escolas públicas.

Escola republicana no VA nº105 (mp3)

ver: Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão dos Estabelecimentos Públicos de Educação

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R&L - Apelo ao Presidente da República e Presidente da Assembleia da República

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EXPOSIÇÃO E APELO EM DEFESA DA DIVERSIDADE IDEOLÓGICA E DO PLURALISMO PARTIDÁRIO NA VIDA DEMOCRÁTICA PORTUGUESA

Nesta data, seriamente preocupada com a manutanção da pluralidade e da diversidade partidárias na vida democrática da República Portuguesa desejável seria mesmo o seu incremento… , a Associação Cívica República e Laicidade (R&L) endereçou ao Senhor Presidente da República e ao Senhor Presidente da Assembleia da República a seguinte EXPOSIÇÃO e APELO:

REPÚBLICA PORTUGUESA:

MENOR PLURALISMO PARTIDÁRIO, DEMOCRACIA MAIS POBRE E MAIS FROUXA.

Em Portugal, desde 22 de Agosto de 2003, temos uma nova «Lei dos Partidos Políticos»: a Lei Orgânica n.º2/2003.

Essa legislação parte do (bom) entendimento de que “os partidos políticos concorrem para a livre formação e o pluralismo de expressão da vontade popular e para a organização do poder político” (art.1º) e de que, no cumprimento desse objectivo, lhes cabe: “contribuir para o esclarecimento plural e para o exercício das liberdades e direitos políticos dos cidadãos; estudar e debater os problemas da vida política, económica, social e cultural, (…); apresentar programas políticos e preparar programas eleitorais de governo e de administração; apresentar candidaturas para os órgãos electivos de representação democrática; fazer a crítica, designadamente de oposição, à actividade dos órgãos do Estado (…); participar no esclarecimento das questões submetidas a referendo nacional, regional ou local; promover a formação e a preparação política de cidadãos para uma participação directa e activa na vida pública democrática e, em geral, contribuir para a promoção dos direitos e liberdades fundamentais e o desenvolvimento das instituições democráticas” (art.2º).

No entanto, embora reconhecendo que a constituição de um partido político é “livre e sem dependência de autorização” e que eles “prosseguem livremente os seus fins sem interferência das autoridades públicas (…)” (art.4), a nova «Lei dos Partidos Políticos» exige para a sua constituição um requerimento formal subscrito por 7500 cidadãos eleitores (art.15º) – a anterior legislação só exigia 5000 – e faz depender a continuidade da sua existência da manutenção de um número de militantes filiados superior a 5000 (art.18º) – a legislação anterior só exigia 4000…

Desse modo, foi no estrito cumprimento daquele normativo de 2003 que, muito recentemente, o Tribunal Constitucional (TC) notificou todos os partidos existentes em Portugal exigindo-lhes prova do facto de, actualmente, cada qual poder contar com o número mínimo de 5.000 militantes filiados previsto na Lei.

Mas, se é verdade que aquela intervenção do TC decorre no estrito cumprimento da Lei vigente, verdade também é que, actualmente, o quadro partidário nacional se encontra fortemente – excessivamente – bipolarizado, manifestamente carecido da pluralidade, da diversidade e das dinâmicas necessárias a uma saudável vivência democrática representativa e que, por força da implementação conjunta daquele normativo e da «lei do financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais» (lei 56/98, de 18 de Agosto), essa situação tenderá a agravar-se a curto prazo, já que levará ao imediato desaparecimento da maioria dos pequenos partidos surgidos nos últimos 30 anos – previsivelmente, 9 dos 14 partidos actualmente existentes acabarão – e, por força dos quase inultrapassáveis entraves processuais desse modo criados à constituição de novas formações partidárias, impedirá a renovação do leque político partidário e contribuirá para o anquilosamento do regime.

Efectivamente, exigir de um movimento cívico nascente e que aspire a tornar-se em partido a apresentação de 7500 assinaturas de proponentes, a fidelização de 5000 militantes e respectiva certificação periódica e ainda a apresentação regular de candidaturas às eleições gerais e/ou a grande número de autarquias locais, recusando-lhe, simultaneamente, quaisquer subsídios de funcionamento enquanto ele não conseguir alcançar 50.000 votos em processo eleitoral, restringindo fortemente as suas possibilidades de recurso ao financiamento privado e exigindo-lhe, ainda, sob pena de aplicação de multas exorbitantes (fortemente superiores aos seus orçamentos anuais), o cumprimento de apertadíssimas regras de transparência contabilística – que os grandes partidos, aliás, não acatam…! –, equivale objectivamente, como é muito fácil de perceber, a inviabilizar a sua constituição e a impedir o seu aparecimento na cena política.

É este quadro problemático para a Democracia da República Portuguesa que a Associação Cívica República e Laicidade vem agora denunciar publicamente, apelando ao Presidente da República e, muito especialmente, à Assembleia da República, ou seja, aos partidos políticos a quem se deve – e a quem, numa visão acanhada, pode aproveitar – a actual legislação, para que, com a brevidade possível, procedam à revisão do quadro jurídico que enforma a vida partidária no país, garantido uma efectiva e democraticamente animada pluralidade do nosso sistema político.

Braga, 6 de Janeiro de 2008

A bem da República

Luis Mateus (presidente da direcção da associação cívica R&L)

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Os laicistas respondem a Sarkozy

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O presidente da República francesa, Nicolas Sarkozy, discursou no dia 20 de Dezembro de 2007 em Latrão. O seu discurso provocou um aceso debate sobre a laicidade em França.

Incluímos aqui alguns dos principais documentos deste debate.

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