Biografias – Aquilino Ribeiro

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Aquilino (Gomes) RIBEIRO

Carregal  de Tabosa, Sernancelhe, 13-09-1885; Lisboa, 27-05-1963.

Escritor (romancista, novelista, contista, etc.), conspirador anti-monárquico, propagandista republicano e resistente democrata.

Depois de ter frequentado o colégio jesuíta da Senhora da Lapa, em Soutosa, e os seminários de Lamego, Viseu e Beja, abandonou (1906) os estudos teológicos e fixou-se em Lisboa. Na capital, a par dos estudos e de pequenos trabalhos de tradução e jornalismo, dedicou-se a actividades de conspiração contra a Monarquia e de promoção dos ideais da República. Foi preso (1907) na sequência de um acidente com explosivos que, no seu quarto, vitimou dois carbonários, mas conseguiu evadir-se e partir para Paris (1908), onde se veio a diplomar na Universidade da Sorbonne.

Com a eclosão da 1ª Grande Guerra (1914), regressou a Portugal. Leccionou então no Liceu Camões (Lisboa) e juntou-se ao grupo que constituiu a Seara Nova, integrando a sua primeira direcção. Trabalhou também na Biblioteca Nacional (1919-27) mas, intransigente defensor da justiça e da liberdade, envolveu-se em conspirações contra o regime de ditadura do Estado Novo, sofreu perseguições (1927-28) e a prisão e foi forçado a novo exílio em Paris (1927-28).

Escritor ímpar, quer no modo de trabalhar a linguagem, com recurso a um vocabulário exuberante, original e pitoresco, quer no rigor extremo da expressão, foi autor de uma das mais importantes obras literárias portuguesas do século XX, abrangendo ficção, crítica, biografia, evocação histórica, ensaio, teatro, etnografia, polémica, tradução e contos para crianças. Recordam-se aqui : A Via Sinuosa (1918); Terras do Demo (1919); O Malhadinhas (1920); Filhas da Babilónia (1920); Estrada de Santiago (1922); Romance da Raposa (1924); Andam Faunos pelo Bosque (1926); Batalha Sem Fim (1931); As Três Mulheres de Sansão (1932); Maria Benigna (1933); S. Banaboião, Anacoreta e Mártir (1937); Volfrâmio (1944); Constantino de Bragança (1947); O Homem da Nave (1951); Abóboras no Telhado (1955; A Casa Grande de Romarigães (1957); Quando os Lobos Uivam (1959), que lhe valeu um processo censório, etc.

Foi membro efectivo (a partir de 1958) da Academia das Ciências.

Foi iniciado mação (1907) na Loja Montanha (Lisboa, Grande Oriente Lusitano Unido).

[ LMM/R&L ]

acesso a: doc/R&L (pdf)