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Ainda as designações católicas de estabelecimentos públicos (escolas, etc.)

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AINDA A QUESTÃO DA ERRADICAÇÃO DAS DENOMINAÇÕES CATÓLICAS (NOMES DE SANTOS, ETC.) DOS ESTABELECIMENTOS PÚBLICOS

Apesar do rápido desmentido feito pelo Ministério da Educação, o alarmismo da primeira página do Correio da Manhã de 2 de Janeiro suscitou algumas interessantes tomadas de posição.

Fernando Soares Loja, membro da Aliança Evangélica Portuguesa e vice-presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, em curta entrevista dada ao jornal «Diário de Notícias», veio explicar/justificar e moderar o sentido da norma estabelecida pelo Ministério da Educação relativamente às futuras designações a atribuir a escolas da rede pública (Decreto-Lei nº299/2007) e esclarecer aquilo que pode marcar o nome dado a um determinado estabelecimento público como uma «designação confessional».

ver artigo: doc/R&L (pdf)

Esther Mucznik, elemento da Comunidade Judaica de Lisboa e também membro da Comissão de Liberdade Religiosa, publicou, no jornal Público, um artigo de opinião onde, entre outras apreciações que incluem um comentário à questão da designação das escolas públicas, deixa a seguinte afirmação: “paradoxalmente (…) o fenómeno religioso tem vindo a conquistar espaço na vida pública em proporção inversa à prática religiosa dos cidadãos” ou seja, traduzindo para a nossa leitura e perspectiva laicista: o clericalismo tem vindo a tomar o lugar das religiões nas nossas sociedades cada vez mais secularizadas

Embora estejamos em frontal desacordo com a avaliação positiva que naquele artigo se faz do referido “fenómeno”, somos evidentemente levados a concordar inteiramente com a sua constatação.

ver artigo: doc/R&L (pdf)

José Miguel Júdice publicou, igualmente no jornal Público, um artigo de opinião onde, entre algumas considerações sobre usos (e abusos) praticados nos órgãos de comunicação social, de modo pragmático, afirma: “o Governo de Sócrates tem problemas suficientes pela frente para precisar de mais um foco de perturbações, de conflito com a Igreja Católica, de tensões com populações”.

Sabendo – como bem sabemos – que a Comunicação Social tanto pode informar como desinformar, tanto serve para apontar o dedo com para distrair os olhares; cientes de que, no que respeita à escola pública, a grande questão da actualidade é, sem sombra de dúvida, o projecto de Decreto-Lei que visa  estabelecer um novo Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão dos Estabelecimentos Públicos de Educação – dispondo os cidadãos de um curtissimo período de um mês para intervirem na fase de debate público em que presentemente se encontra –, perguntamo-nos: será mesmo assim tão certo que ao Governo de Sócrates não convenha mais um foco de (aparente) conflito com a Igreja Católica?

ver artigo: doc/R&L (pdf)

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Capelanias hospitalares no «DN» e na «Ecclesia» [28/09/07]

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OPINIÃO SOBRE A QUESTÃO DAS CAPELANIAS NO «DN»…

O jornal «Diário de Notícias» publica hoje um interessante texto de opinião de Fernanda Câncio sobre as capelanias hospitalares (e não só…).

Dele destacamos as seguintes ideia:

“(…) a situação das capelanias permanece, em 2007, exactamente como era há vinte anos (e antes). Só os crentes católicos têm direito a assistência religiosa permanente e só os sacerdotes católicos gozam de acesso directo e universal - ou seja, a todos os internados, a qualquer hora, seja qual for o seu clube espiritual - e são pagos por esse serviço. Os religiosos de outros cultos (apetece dizer “não oficiais”) funcionam em regime de voluntariado e mediante autorização caso a caso, não existindo qualquer regulamentação que lhes garanta o acesso ou as condições em que é facultado. Estão dependentes dos humores dos porteiros, das direcções e até dos capelães, e não raro são impedidos de entrar.”

acesso a: artigo do «DN» | doc/R&L (pdf)

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OPINIÃO SOBRE A QUESTÃO DAS CAPELANIAS NA AGÊNCIA «ECCLESIA»

A agência «Ecclesia» publica também hoje um texto de opinião de Januário Torgal Ferreira sobre as capelanias hospitalares.

acesso a: artigo da «Ecclesia» | doc/R&L (pdf)

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Vital Moreira e as capelanias no jornal «Público» [25/09/07]

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AS CAPELANIAS NA OPINIÃO DE VITAL MOREIRA

Vital Moreira publicou, hoje, no jornal «Público», uma análise interessantíssima da questão das capelanias, análise essa onde vem confirmar a opinião que a associação cívica República e Laicidade tem vindo a defender.

Algumas citações:

“No fundamental, a Igreja Católica mantém os favores que vêm desde o Estado Novo, aliás escandalosamente reforçados por pios governantes já depois de 1976, à margem da Constituição e da própria Concordata. As demais igrejas continuam sem ver garantido o direito à assistência religiosa dos seus crentes. Esta situação não pode continuar.”

“(…) a assistência religiosa incumbe em exclusivo às igrejas e aos seus ministros. Não cabe ao Estado promover nem patrocinar actos religiosos. Nos estabelecimentos públicos, tal como fora deles, o Estado não tem religião. E também não têm religião os agentes e funcionários públicos, nessa qualidade e no exercício de funções. As instituições públicas em causa não gozam de imunidade perante o princípio da separação entre o Estado e as igrejas. (…) No exercício das suas funções, os encarregados da assistência religiosa continuam a ser apenas ministros do culto e não agentes públicos. Devem ser livremente nomeados e credenciados pelas respectivas igrejas. Não cabe ao Estado nomeá-los nem sustentá-los, mas somente reconhecê-los e respeitá-los.”

“A assistência religiosa só é naturalmente devida a quem a solicite explicitamente. É o que resulta da Constituição, da lei e da Concordata. Nem no Estado Novo era diferente.” (…) “É inaceitável que um ministro de uma religião entre numa enfermaria e se dirija aos pacientes como se todos fossem crentes”.

ver: Texto de Vital Moreira | doc/R&L (pdf)

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Portugal é um Estado laico, mas…

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… a ligação do poder à Igreja Católica é muito forte

Apesar de Portugal ser um Estado laico e de a legislação estabelecer a liberdade religiosa, dizendo que nenhuma igreja ou comunidade deve ser discriminada relativamente às outras, há actos públicos que não dispensam a presença de sacerdotes católicos. E continua a haver procissões e missas organizadas por câmaras municipais.

Veja-se, por exemplo, o que tem vindo a suceder em Santarém…

notícia original / doc/R&L (pdf)

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Vital Moreira, lúcido, faz análise no jornal «Público» [13/02/07]

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VITAL MOREIRA ANALISA RESULTADOS DO REFERENDO

Em artigo de opinião, Vital Moreira analisa, hoje, no jornal «Público» os resultados do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez. De entre muitas outras asserções do seu texto, sobressai esta:

“Decididamente, ela [a Igreja Católica] deixou de comandar a consciência moral dos portugueses e as opções políticas do Estado. A separação entre o Estado e a religião deu um decisivo passo em frente. O Código de Direito Canónico deixou de ser lei constitucional entre nós.”

acesso a artigo: arquivo/R&L (pdf)

Claramente e felizmente , o mito rural que teima em sustentar um olhar, uma afirmação e uma utilização de Portugal como um «país católico» está-se rapidamente a desmoronar.

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O mito do «povo português católico» no JN [13-02-07]

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O MITO DO “POVO PORTUGUÊS CATÓLICO”

Se alguma coisa deu para concluir, neste referendo, foi que a ideia comezinha do “povo português católico” caiu por terra…

O “bom povo” sabia muito bem que a Igreja católica é contra o aborto. Qualquer aborto. Mesmo que em caso de perigo de vida para a mãe, malformação do feto ou violação.

A Igreja católica é sempre contra o aborto.

Embora a Igreja não tivesse uma participação notória nesta campanha, em termos de episcopado e presbíteros, as suas organizações de leigos participaram intensamente. Com destaque para um folheto demagógico e caviloso que diversas organizações católicas andaram a distribuir pelas caixas de correio.

Perderam!

Assim, não faz sentido, doravante, falar-se do “povo português católico”, como hipotético referencial de valores cívicos, ou outros, ou de pretenso semáforo para a determinação de medidas políticas.

A noção de “povo português católico” é, actualmente, um mito!

Saibam os políticos ter isso bem presente e não liguem, de ora em diante, às vozes canoras e morigeradoras do clero e seus apaniguados.

E das duas, uma:

- ou os portugueses, mesmo dizendo-se maioritariamente “católicos”, não ligam, maioritariamente, ao preceituário “moral” da sua Igreja…

- ou os portugueses “católicos” são-no à sua maneira, isto é, são-no à revelia da Igreja, o que redunda num catolicismo inconsequente e inconsistente…

…E é o que tal transparece nos, apenas, cerca de 10 a 15% de “católicos” que frequentam a missa dominical… 

João Pedro Moura

acesso a: arquivo/R&L (pdf) 

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Director-Geral dos Impostos (DGCI) em acção de graças (2)

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AINDA A MISSA DE ACÇAO DE GRAÇAS DA DGCI

Em artigo de grande lucidez, Eduardo Moura analisa o gesto «beato» do Director-Geral dos Impostos, Paulo Macedo, chamando designadamente a atenção para os seguintes aspectos:

(…) “Visto por dentro da convicção religiosa, como é normal numa Missa de Acção de Graças, tudo se passa de acordo com os princípios e os credos próprios da Igreja Católica e ninguém que partilhe estas convicções se sente estranha ao agradecer e encomendar ao divino a sua sorte passada e sua futura fortuna. Nem tão pouco estranha que Deus tenha tanta coisa a ver com a cobrança de impostos, com a eficácia da máquina fiscal, com o cumprimento da lei de um Estado, que tanta outra gente julga ser laico.

“Mas exactamente por isto ser assim, por Paulo Macedo ser católico e obviamente uma pessoa inteligente e reflectida, por ter consciência do lugar que ocupa no Estado, por saber o Estado em que vive, por saber que a DGCI nunca encomendou missas, por saber que uma missa une os católicos da DGCI mas afasta todos os outros funcionários, por saber que a despenalização do aborto está a um mês de distância, por saber que o seu salário está novamente de volta à imprensa, o facto é que Paulo Macedo tem consciência de que está a esticar a corda e não está a praticar um acto de gestão.

“Porque se fosse um acto de gestão, apesar de ser uma mau acto de gestão, então seria obrigatório o director-geral encomendar missas em muitos outros credos, pelo menos tantos quantos os que são reconhecidos pelo Estado e passíveis de ensino nas escolas públicas.

“Mas como é evidente, um acto de gestão que separa os trabalhadores por credos religiosos é uma acto de cisão irracional, prejudicial à eficácia dos grupos de trabalho, ilógico do ponto de vista motivacional, imprudentemente segregador.” (…) [sublinhados da R&L]

acesso a: artigo original / arquivo/R&L (pdf)

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Imprensa - Jornal «Público» no semanário «O Despertar» [05-01-07]

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Ao recusar a publicação nas sua páginas a textos que, muito directa e criticamente, apreciam opções menos felizes da sua política editorial e que, por esse motivo, lhe são originalmente dirigidos , não se espante o jornal «Público» se eles acabarem por vir a lume noutros órgãos de comunicação.

Foi o que sucedeu ao comentário crítico à campanha «Pró-Natal» que ocupou a edição do passado dia 22 de Dezembro (a do dia 24 também…!) daquele jornal e que Carlos Esperança acabou por tornar publico no semanário republicano independente de Coimbra «O Despertar».

Do referido texto destacamos aqui a seguinte lúcida e oportuna reflexão:

“Quando o sectarismo religioso está na origem de confrontos sangrentos e actos de terrorismo, mandava o bom-senso que o aprofundamento da laicidade do Estado e a sua defesa pela comunicação social dos países democráticos, servissem de vacina à demente tentativa de submissão a uma verdade única, a livros únicos da fé e às imposições do clero.”

acesso a: arquivo/R&L (pdf)

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Recorte de Imprensa - Diário de Notícias [15/09/2006]

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A ESQUERDA BENZIDA

Em interessante reflexão publicada no jornal «Diário de Notícias» sob o título aqui acima reproduzido [DN-15/09/06], Fernanda Câncio vem fazer-nos notar que:

(…)

Neste mandar da laicidade às urtigas, apanágio de todos os governos e presidentes da democracia (e candidatos a tal), o primeiro Executivo PS de maioria absoluta, que se intitula da “esquerda moderna”, não destoa. Ante a polémica dos crucifixos nas salas de aula, afirmou que “a escola é laica” mas os símbolos só saíam “a pedido”, não fosse alguém sentir-se com a sua abrupta (30 anos 30 após a Constituição ter estabelecido a não confessionalidade do ensino público) retirada. Perante o fim da obrigatoriedade concordatária de capelanias católicas nas Forças Armadas, nos hospitais e nas prisões, está há um ano a “estudar” o estabelecer da igualdade religiosa nesta matéria enquanto tudo fica na mesma. E, em perfeito inverso da “escandalosa” postura de Zapatero, viu–se, esta semana, na inauguração de uma escola pública que teve direito a bênção de um padre (!), o primeiro-ministro português persignar-se.

concluindo que:

Quer releve de convicção quer de uma noção voluntarista de gentileza, o gesto ignora a distinção entre a esfera privada da vida de um chefe de Governo e a encenação pública da sua presença oficial, relegando a separação entre Igreja e Estado para as questões irrelevantes. É pena: cumprir assim a “tradição” é “limitar-se” a falhar a modernidade.

aceder ao texto integral: documento original / arquivo R&L (pdf)

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