Quando a República apoia os que a querem destruir




Excelentíssimo Senhor Chefe do Estado-Maior do Exército,

Senhor General José Luís Pinto Ramalho,

Rua Museu de Artilharia

1149-065 Lisboa


Excelentíssimo Senhor Ministro da Defesa Nacional,

Senhor Professor Doutor Nuno Severiano Teixeira,

Ministério da Defesa Nacional

Avenida Ilha da Madeira, 1

1400-204 Lisboa


  1. A Associação República e Laicidade tomou conhecimento de que está anunciada a participação do Regimento de Lanceiros, no dia 1 de Fevereiro de 2008, numa manifestação política de cariz monárquico, na Praça do Comércio (Lisboa), estando também anunciada a participação, na mesma manifestação monárquica, da Fanfarra do Exército e do Colégio Militar. No dia 31 de Janeiro de 2008, está igualmente anunciada a participação do Grupo de Música de Câmara da Banda Sinfónica do Exército numa conferência de homenagem ao rei Carlos I, na Universidade Católica, conferência essa que se integra no mesmo conjunto de manifestações monárquicas organizadas por entidades da sociedade civil.

  2. A Associação República e Laicidade vem, pela presente carta, manifestar-lhe a sua mais veemente indignação e repúdio pela participação de estruturas das Forças Armadas da República em manifestações políticas que têm como finalidade última a substituição do regime republicano vigente por uma monarquia. É inadmissível que parte das Forças Armadas, obrigadas que estão a respeitar a Constituição e as instituições republicanas e democráticas, participe em movimentações sectárias que visam destruir a ordem republicana. Pedimos-lhe, portanto, que considere os graves inconvenientes de permitir a participação das Forças Armadas nas referidas manifestações.


Com os meus melhores cumprimentos,

A bem da República,

Ricardo Alves

(Secretário da Direcção da Associação República e Laicidade)


5 Comments

  • Tomaz de Mello Breyner wrote:

    Oh Ricardo

    Qual é o teu problema? Trata-se de homenagear um antigo Chefe de Estado que foi cobardemente assassinado no exercicio das suas funções. Nada mais justo do que as forças aramadas se associarem a uma homenagem ao seu antigo Comandante Supremo SM Fidelissima El Rei Dom Carlos I, Rei de Portugal e dos Algarves, de aquèm e além mar em ?frica. Ficas desde já convidado para te associares a esta homenagem que irá ser feita a um GRANDE PORTUGUÊS.

    JTMB

  • Caro Tomaz,
    nem todos os antigos chefes de Estado merecem homenagens estatais. Pense se acha que a democracia deveria homenagear Américo Thomaz, ou Salazar (que não foi chefe de Estado mas foi presidente do conselho durante mais tempo do que qualquer outro no século 20).

    Ricardo Alves

  • Diogo Vasconcelos wrote:

    Não deixa de ser significativo que, ao referir antigos chefes de Estado que, na sua opinião, não merecem homenagens estatais, os únicos exemplos que lhe tenham vindo à mente sejam, precisamente, de REPUBLICANOS!

  • [...] “A bem da República” Excelentíssimo Senhor Chefe do Estado-Maior do Exército, Senhor General José Luís Pinto Ramalho, Rua Museu de Artilharia 1149-065 Lisboa [...]

  • Não conheço nenhuma declaração pública de Salazar ou Thomaz em que se declarassem republicanos.

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