Outubro 2007

Haverá ainda quem acredite ?

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HAVERÁ AINDA QUEM OS OIÇA E SEJA CAPAZ ACREDITAR?

Quem os ouvir mas haverá ainda quem verdadeiramente os oiça? quem os tome mesmo a sério? , quem ainda tiver paciência para ouvir o actual discurso dos bispos e dos cardeais da Igreja Católica Romana, há-de pensar que, por todo o lado, neste nosso mundo de hoje e em nome de uma “sociedade aberta”, os «laicos» tomaram o poder, o «laicismo» transformou-se em «religião de Estado» e que, perseguidas e acossadas, as religiões todas as religiões, com o catolicismo na dianteira tiveram que se remeter à discrição das sacristias, quando não foram mesmo forçadas a recolher-se na escuridão clandestina das catacumbas.

Que fazer, então, perante esta desgraça? Como actuar perante aqueles que, “em nome de uma sociedade tolerante e respeitosa, impõem como único valor comum a negação de todo e qualquer valor real e permanentemente válido”?

A resposta é simples, quase evidente: “Face a tais pretenções, o mínimo que podemos [nós, os católicos] fazer é rebelar-nos”!!!

E espantoso!!! estas fantásticas afirmações foram proferidas pelo cardeal Tarcísio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, ontem, em Fátima, perante uma multidão de milhares de peregrinos mais ou menos anónimos e de inúmeras individualidades oficiais de todo o tipo, com transmissão directa pelas rádios e pelas televisões

Mas, depois de ser obrigado a ver e a ouvir, através dos meios de comunicação do Estado (e não só), durante horas e horas e horas a fio, as cerimónias do «13 de Outubro» em Fátima, haverá ainda quem possa levar a sério este discurso?

Entretanto, inauguram a «Basílica da Sagrada Família» 9000 lugares sentados, a quarta igreja maior do mundo!!!

fatima-2007

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97 anos do 5/Outubro/1910 - VIVA A REPÚBLICA PORTUGUESA !

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VIVA A REPÚBLICA PORTUGUESA !!!

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(*) senha e contra-senha utilizadas pelos revolucionários republicanos de 1910.

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Falta concretizar a República

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O jornal «Correio do Minho» publica hoje este interessante e oportuno texto:

FALTA CONCRETIZAR A REPÚBLICA

Comemora-se a 5 de Outubro próximo mais um aniversário da implantação da República Portuguesa, mais concretamente o nonagésimo sétimo. No entanto, apesar de se tratar de uma data já enraizada na nossa sociedade, muitas pessoas continuam a passar ao lado do real significado deste dia, teimando em circunscrever esta alteração profunda da nossa sociedade a uma mera mudança de agentes políticos.

Mas na verdade foi mais do que isso. Foi, indubitavelmente, muito mais. A República traz consigo um conjunto de valores seculares da maior importância, que foram decisivos para a alteração a nível mundial dos padrões sociais, que permitiram a passagem de uma sociedade tradicional, refém de cultos e classes, para uma sociedade moderna e progressista, onde o homem comum desempenha o papel principal.

Esta mudança afectou inclusive as próprias monarquias hoje existentes, nomeadamente as ocidentais, que se foram, de alguma forma, republicanizando, absorvendo o ideário republicano nas suas constituições, transferindo o poder dos monarcas para os parlamentos democraticamente eleitos, limitando-lhes o papel a algo quase simbólico nos dias de hoje.

É claro que em muitos casos, nomeadamente em países em vias de desenvolvimento, o uso vão da palavra República serviu também para fazer exactamente o contrário, isto é, colocar ditadores à frente dos destinos de alguns países via “vontade popular”, governando como autênticos monarcas, de forma autocrática, subvertendo os elementares princípios republicanos.

É assim evidente que confrontar nos dias de hoje república e monarquia no plano das diferenças entre os Estados é inconsequente. As verdadeiras diferenças estão nos princípios de governação e na sua interiorização pelos cidadãos, independentemente do modelo assumido. De facto em Portugal temos um excelente exemplo disso mesmo, com a ditadura de Salazar, na qual o país oficialmente se assumia como República, mas na prática abandonava quase na íntegra os valores que presidiram à sua implantação,  como por exemplo a laicidade e a legitimidade democrática do Estado.

E se Abril de 74 veio recuperar muitos desses princípios adormecidos pela longa ditadura, a verdade é que de algum modo ainda falta concretizar a República na sua totalidade, nomeadamente no que toca à subordinação do interesse individual ao colectivo.

Compreendo que tal desígnio pareça complicado, sobretudo atendendo à cada vez maior competitividade existente num mundo globalizado, onde as pessoas instintivamente pensam cada vez mais em si em detrimento da colectividade.

No entanto, se fizermos uma análise atenta, facilmente constatamos que as sociedades que apresentam os melhores índices de desenvolvimento humano são precisamente as que demonstram maiores níveis de participação colectiva, onde o cidadão anónimo é parte integrante da tomada de decisão, onde o interesse colectivo é, de forma livre, colocado invariavelmente à frente do interesse individual.

E isto demonstra-nos inequivocamente a actualidade do pensamento republicano e a nossa necessidade, enquanto país, de concretizarmos a implantação que se iniciou há 97 anos, celebrando a Liberdade, como direito fundamental do homem, a Igualdade como Lei, perante a qual todos somos iguais, a Laicidade do Estado como  garante único da liberdade de culto, respeitadora das crenças de cada um e inimiga da intolerância, a Democracia como instrumento de participação plena dos cidadãos na vida comunitária, o Interesse Colectivo como única forma de garantirmos a prosperidade das gerações actuais e futuras.

Os ideais republicanos ensinam-nos a pensar além de nós próprios, a ter uma atitude mais interveniente, mais altruísta, em prol da sociedade de hoje e de amanhã. Vamos aplicar esses ensinamentos. A República portuguesa está aí, à espera de ser concretizada, por cada um de nós, para todos nós.

Artur Boaventura da Silva

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Capelanias hospitalares: a Igreja quer partir a loiça toda ?

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QUE NOS QUER DIZER JOSÉ POLICARPO?

No âmbito de uma espécie de deseguizado (!?) entre a Igreja Católica Romana e o Governo da República Portuguesa devido a divergências quanto ao modo de regulamentar o funcionamento da assistência religiosa ou espiritual a doentes internados nos hospitais públicos, o Cardeal José Policarpo falou ontem para os meios de comunicação social e – espantoso! – ao assumir que essa questão ainda não era um assunto encerrado, que a sua discussão está a ser influenciada por “forças da sociedade que não vêm com bons olhos a presença da Igreja” afirmou taxativamente: “o caso das capelanias hospitalares: isso é um dossier que está, neste momento, na berra mas [que] está muito cru ainda… tem ainda muita loiça para partir…

ver notícia:


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“tem ainda muita loiça para partir”…???!!!

A expressão utilizada por José Policarpo é, no mínimo, estranhíssima.

Terá ela sido um mero «lapsus linguae»? um simples acto falhado? Não terá sido antes um recado subliminar para o Primeiro-ministro? uma ameaça velada ao Ministro da Saúde?

ver ainda:

ver também: comentário de Ludwig Krippahl no blogue «QUE TRETA!»

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R&L - República em Portugal de 1910 até hoje…

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REPÚBLICA EM PORTUGAL DE 1910 ATÉ HOJE…

A 3 de Outubro próximo e por iniciativa da Juventude Socialista (Partido Socialista) do Concelho de Braga, terá lugar um colóquio sobre “A República, em Portugal, de 1910 até hoje”. O colóquio contará com a presença de Luis Mateus, da associação cívica República e Laicidade.

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O colóquio terá lugar na sede do Partido Socialista (Concelhia de Braga), na Avenida Imaculada Conceição («Rodovia»), pelas 21:30h.

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Capelanias hospitalares de novo no semanário «Sol» [29/09/07]

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CAPELANIAS HOSPITALARES DE NOVO NO SEMANÁRIO «SOL»

O semanário «Sol» voltou a trazer hoje, na sua edição em papel, uma reportagem sobre a questão das capelanias hospitalares.

Segundo aquele órgão de informação, o Primeiro-ministro José Sócrates teria sido permeável à forte pressão sobre si exercida pelos bispos da Igreja Católica Romana portuguesa e, receoso das reacções daquela Igreja perante o avanço do projecto (em estudo) de regulamentação do funcionamento da assistência espiritual ou religiosa a doentes internados em hospitais públicos projecto que, entre outras normas constitucionalmente acertadas, fazia depender a prestação dessa assistência de prévia e expressa solicitação dos interessados , irá tomar em mãos o processo em curso e fazê-lo «recuar» até se desenhar uma solução compatível com a manutenção dos actuais privilégios católicos.

Ver notícia: doc/R&L (pdf)

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