R&L – Solidariedade com o semanário نيشان «Nichane» (Marrocos)

SOLIDARIEDADE COM «NICHANE» نيشان

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Distraídos com a portuguesa (e não só) «campanha-anti-campanha-anti-natal» quase não nos demos conta do processo levantado, a 20/21 de Dezembro passado, contra a revista marroquina «Nichane» (نيشان publicação em língua árabe), no seguimento da publicação de um número seu especialmente dedicado ao humor marroquino e onde, num extenso artigo — “Como se riem os marroquinos da religião, do sexo e da política” — se analisavam algumas das anedotas em circulação no país.

acesso a: documentos da redacção da revista / arquivo/R&L (pdf) (com tradução para português)

Acaba agora de ser publicada a sentença do tribunal de primeira instância que julgou o caso: a revista «Nichane» foi suspensa por dois meses e os dois jornalistas mais directamente envolvidos na feitura daquele artigo, o director do semanário, Dris Ksikes, e uma sua colaboradora, Sanaa al Aji, inicialmente acusados de «ofensa à religião islâmica e ao seu profeta» — o que poderia ter levado à aplicação das mais graves penas previstas na lei marroquina — acabaram «simplesmente» condenados, cada um, a três anos de cadeia (com pena suspensa) e ao pagamento de uma  multa de 7.500 euros.

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acesso a notícias sobre a decisão do tribunal:

acesso a documentação de apoio à revista e aos jornalistas:

2 Comments

  • [...] Em Marrocos, ataque à Imprensa January 25th, 2007 by triplov Na verdade, «clericalismo» será sempre e em toda a parte — e independentemente da religião de quem o favorece e/ou o exerce — o exercício de um poder autoritário e arbitrário que, sustentado num discurso dogmático, fechado sobre si mesmo, atenta contra a liberdade de pensamento e de expressão do pensamento dos indivíduos dentro de uma sociedade. De modo idêntico, mas em sentido oposto, «laicismo» — e a sua expressão concreta: a «laicidade» – será sempre e em toda a parte a garantia da «liberdade» de todos os indivíduos de uma dada sociedade face a toda e qualquer tentativa de apropriação totalitária do seu «espaço público comum». Distraídos que andámos nessa «coisa francamente bacoca» que foi a «campanha-anti-campanha-anti-natal» nem nos apercebemos de que, aqui mesmo ao lado, em Marrocos, uma revista semanal — «Nichane», escrita em língua árabe – estava a ser vítima de uma intervenção policial/judicial motivada pela pressão de grupos clericalistas de um islamismo fundamentalista que, também aí, à força — como é usual, já que «razão» e «clericalismo» são coisas que nunca andam juntas… –, tenta impor (manter e reforçar) o seu discurso totalitário a toda uma sociedade onde uma franca aspiração à modernidade é já uma bem visível e luminosa perspectiva. A estória teve um seu (primeiro) desfecho há poucos dias — uma decisão judicial que suspende a publicação da revista por dois meses e aplica 3 anos de pena suspensa com multa de 7.500 euros a cada um dos jornalistas envolvidos — mas a «pena leve» (!?) que recaíu sobre aquele semanário e dois dos seus jornalistas pode muito (mesmo muito) facilmente suscitar outros (e mais trágicos) desenvolvimentos. Urge, portanto, que cada um de nós tome uma posição clara sobre este assunto e a manifeste junto das autoridades marroquinas, pelo que aqui fica a informação mais relevante para o fazer. O relato do que se passou está aqui: http://www.laicidade.org/2007/01/23/rl-solidariedade-com-o-semanario-nichane-marrocos/ uma petição (on-line) está aqui: http://www.nichane.ma/communique/petition/ e uma sugestão de carta a enviar (pode ser por e-mail) ao Embaixador de Marrocos em Portugal está aqui: http://www.laicidade.org/wp-content/uploads/2007/01/exmo-sr-samir.doc Aqui ficam as minhas saudações republicanas e laicas Luis Mateus [...]

  • [...] O relato do que se passou está aqui. [...]

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