Director-Geral dos Impostos (DGCI) em acção de graças

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DIRECTOR/DIRECÇÃO-GERAL DOS IMPOSTOS EM ACÇÃO DE GRAÇAS

Paulo Macedo, Director-Geral dos Impostos (DGCI), encomendou uma missa de acção de graças pela sua Direcção-Geral e pelos funcionários dos Impostos na Sé Patriarcal de Lisboa e convidou os funcionários daquela Direcção Geral a acompanhá-lo na celebração.

“O Estado é laico. Respeita-se a liberdade religiosa das pessoas, ninguém é obrigado a ir”, justificou fonte oficial do gabinete do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.

Curiosa, no mínimo, esta forma de conceber a laicidade do Estado!

A celebração teve lugar hoje, pelas 18h30.

Quem nos garante que não haverá represálias institucionais para quem não foi à missa ou benesses para quem lá foi?

Vai passar a ser possível descontar uma percentagem dos impostos para (algumas) confissões religiosas… Quem nos garante que não haverá represálias institucionais (excesso de rigor fiscalizador, por exemplo) para quem não assinalar a vontade de descontar para a Igreja Católica e benesses (laxismo fiscalizador, por exemplo) para quem a assinalar?

acesso a: notícia original / arquivo/R&L (pdf) / O Jumento / arquivo/R&L (pdf)

9 Comments

  • aife wrote:

    “O Estado é laico. Respeita-se a liberdade religiosa das pessoas, ninguém é obrigado a ir?

    E quem é que pagou a dita missa? Foi o meu bolso e o dos contribuintes?

    Isto já cheira às missas que os beatos gestores dos CTT compram todos os anos para bem da instituição…
    Provavelmente o espírito santo ajudará a despedir os trabalhadores. Empregar, empregavam os amigos!

  • Por muito que me custe aceitar, constato que de forma subliminar, vão surgindo com uma frequência preocupante no aparelho de estado (e não só, sintomas claros de fascistoide aguda e, claro, com expressão de tal, a associação à religiosidade, mesmo encapotada de uma pseudo liberdade individual.
    Será a a Legião; o MNF, etc., foram mesmos extintos?

  • Paulo Pinheiro wrote:

    Infelizmente, parece que os nossos governantes não levam a sério a separação entre estado e igreja; antes pelo contrário, parece que aproveitam a sua estadia no governo ou outros serviços do estado para promoverem os seus credos particulares, que no nosso país são geralmente católicos. É um autêntico desrespeito para com os fiés das outras crenças religiosas e os não-crentes.

  • Eu não sei quem pagou ou não, acaba por ser irrelevante, não o sendo, porque o que está em causa é esta mistura intolerável de simbolos do Estado nestas celebrações religiosas. E andamos nós para aqui a olhar desconfiados, os povos que ainda não conseguiram essa separação natural de Estado e Religião? Eu devo ser, na génese, mais Cristão do que esta gente que precisa destes espaventos e manteiguices, porque sinto a mesma revolta que Cristo sentiu quando teve que puxar a toalha e virar as cadeiras do Templo…

  • joao mateus wrote:

    inacreditavel este recuperar de saudosas tradicoes do passado.Urge impedir praticas de assedio,de pressao sobre trabalhadores.Nao concebo a impunidade para estes comportamentos

  • Sabem que mais? No local onde trabalho TODOS os anos no dia 18 de Dezembro – Dia da Nossa Senhora das Alfândegas é rezada uma missa.A DGAIEC promove esse “evento” há mais de um séc e dizem que é a “tradição”. Que eu saiba quem a paga não somos nós que lá não vamos, mas o certo é que a separação do Estado da Igreja ainda está longe de ser uma realidade. Esta Missa só teve mais impacto porque foi rezada na Sè e alguém a divulgou. Na minha DG como somos pouco e probrezinhos somos “abençoados” na Igreja da Conceição Velha (lindíssima, diga-se de passagem. As expensas estão a cargo (suponho) de um funcionário que acumula com o facto de ser “diácono”… No entanto, quero dizer-vos que alguns funcionários,que tomam posições políticas correctas se apresentam nessa realização e apoiam-na por acharem que ela é uma maneira de “unir” os funcionários aduaneiros.That’s life! That’s Portugal!

  • Eugénia wrote:

    “Abençoados” os ingénuos e os incautos que desculpabilizam tal director-geral e tal ministro e “outros que tais”…
    Acordem, criaturas!
    Um ESTADO LAICO não pode permitir-se “tradições” que ofendem a sua própria essência.

  • Carlos Ribeiro wrote:

    Que o senhor queira ir à missa e convidar quem quiser… até admito. Cada um faz o que quer neste aspecto…. mas fazer-me pagar a dita missa? Isso já é outra coisa bem distinta! O dito senhor devia pagar do seu bolso a tal missa… Somos desgovernados por gente sem vergonha e abusadora!… Quando é que esta pouca vergonha acabará??
    Saudações laicas e republicanas

  • Fernando Isidoro wrote:

    Isto é simplesmente inacreditável!

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