2007

Como no emblema «Barça», Laicidade no Natal - Commerce oblige!

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O «BARÇA» RETIROU A CRUZ (CRISTÃ) DO SEU SÍMBOLO – COMMERCE OBLIGE!

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Na promoção concreta de alguns dos aspectos mais visíveis e superficiais, também da laicidade não há nada mais eficaz do que o pragmatismo calculista da actividade comercial.

Na verdade, neste nosso mundo cada vez mais global, sempre que se pretende alcançar mercados muito amplos leia-se mercados  tão amplos quanto possível com um determinado produto, é essencial torná-lo, confessionalmente, tão «neutro» quanto possível, por forma a não arriscar a possibilidade de ele ir ferir eventuais susceptibilidades religiosas identitárias dos seus potenciais compradores.

Foi esse claro e assumido objectivo e, muito concretamente, foi o interesse em assegurar e ampliar o seu mercado nos países árabes do Médio Oriente que, recentemente, levou o Futebol Clube de Barcelona («Barça») a alterar o seu emblema, retirando-lhe a barra horizontal da cruz (cristã) de S.Jordi que ostentava, ou seja, retirando-lhe… a própria cruz de S.Jordi.

É precisamente essa perspectiva comercial prática e não qualquer cruzada (?) anti-religião com que alguns pretendem vitimizar as confissões religiosas [há que recordar aqui o diferendo que, há cerca de um ano, mantivémos com o jornal Público]que faz com que, por exemplo, nesta época festiva que estamos a atravessar, muitos estabelecimentos comerciais, em vez dos votos de «FELIZ NATAL» marcadamente cristãos, prefiram desejar aos seus clientes umas (laicistas) «BOAS FESTAS».

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A propósito, cabe relembrar aqui a também recente transformação da CRUZ VERMELHA INTERNACIONAL em CRISTAL VERMELHO INTERNACIONAL 


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Quando a República apoia os que a querem destruir

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Excelentíssimo Senhor Chefe do Estado-Maior do Exército,

Senhor General José Luís Pinto Ramalho,

Rua Museu de Artilharia

1149-065 Lisboa


Excelentíssimo Senhor Ministro da Defesa Nacional,

Senhor Professor Doutor Nuno Severiano Teixeira,

Ministério da Defesa Nacional

Avenida Ilha da Madeira, 1

1400-204 Lisboa


  1. A Associação República e Laicidade tomou conhecimento de que está anunciada a participação do Regimento de Lanceiros, no dia 1 de Fevereiro de 2008, numa manifestação política de cariz monárquico, na Praça do Comércio (Lisboa), estando também anunciada a participação, na mesma manifestação monárquica, da Fanfarra do Exército e do Colégio Militar. No dia 31 de Janeiro de 2008, está igualmente anunciada a participação do Grupo de Música de Câmara da Banda Sinfónica do Exército numa conferência de homenagem ao rei Carlos I, na Universidade Católica, conferência essa que se integra no mesmo conjunto de manifestações monárquicas organizadas por entidades da sociedade civil.

  2. A Associação República e Laicidade vem, pela presente carta, manifestar-lhe a sua mais veemente indignação e repúdio pela participação de estruturas das Forças Armadas da República em manifestações políticas que têm como finalidade última a substituição do regime republicano vigente por uma monarquia. É inadmissível que parte das Forças Armadas, obrigadas que estão a respeitar a Constituição e as instituições republicanas e democráticas, participe em movimentações sectárias que visam destruir a ordem republicana. Pedimos-lhe, portanto, que considere os graves inconvenientes de permitir a participação das Forças Armadas nas referidas manifestações.


Com os meus melhores cumprimentos,

A bem da República,

Ricardo Alves

(Secretário da Direcção da Associação República e Laicidade)


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«The Elders» e Declaração Universal dos Direitos do Homen

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CAMPANHA DE APOIO À DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM

Para assinalar o 60º aniversário da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM, por iniciativa de um conjunto de personalidades agrupadas na associação «The Elders» [«Os Velhos», «Os Anciãos»] entretanto criada, foi lançada uma campanha planetária de apoio àquele importante documento fundamental:


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[para apoiar a campanha. «clique» sobre qualquer dos logotipos]

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Memorial (em Lisboa) às vítimas da intolerância

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A FAVOR DA CONSTRUÇÃO DE UM MEMORIAL ÀS VITIMAS DA INTOLERÂNCIA EM LISBOA

Distribuímos pela lista de correspondentes da R&L a seguinte mensagem:

Durante três dias (19, 20 e 21) do mês de Abril do ano de 1506, em, Lisboa, num processo que teve início na Igreja de S.Domingos, uma multidão em fúria, incitada por fanáticos religiosos, perseguiu, chacinou e queimou, em duas enormes fogueiras acesas no Rossio e na Ribeira, cerca de 2000 pessoas suspeitas de judaísmo, naquele que terá sido, porventura, o mais brutal acontecimento singular da história da intolerância em Portugal.

Recentemente, um grupo de vereadores da C.M. de Lisboa avançou com a proposta de instalar na cidade, precisamente no Largo de S.Domingos, um «Memorial às Vítimas da Intolerância», monumento que seria evocativo do massacre de 1506, bem como de “todas as vítimas que sofreram a discriminação e o aviltamento pessoal pelas suas origens, convicções ou ideias”.

A deliberação final sobre essa proposta tinha sido inicialmente agendada para 31 de Outubro passado mas foi entretanto adiada «sine die», pelo que o Memorial a que ela se refere poderá mesmo… não vir a ser edificado de todo…!

Entendendo que se trata de uma iniciativa de grande alcance simbólico — e que só peca por ser tardia, já que Abril de 2006, 500 anos decorridos sobre o acontecimento, teria sido a data ideal para o assinalar — foi disponibilizada na «Internet» a petição que aqui vos venho agora convidar a subscrever.

Subscrever petição: http://www.petitiononline.com:80/samusque/

Saudações republicanas e laicas

Luis Mateus

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Segunda carta ao Provedor dos telespectadores da RTP

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Excelentíssimo Senhor
Provedor dos Telespectadores da RTP – Rádio e Televisão de Portugal,

Sr. Professor José Manuel Paquete de Oliveira

27-11-2007

Senhor Provedor dos Telespectadores da RTP,

Na sequência do protesto anteriormente dirigido ao Provedor, e após o programa «A Voz do Cidadão» emitido no dia 24 de Novembro, a Associação República e Laicidade (ARL) dirige-lhe esta carta não para protestar contra a forma como a RTP, em
geral, trata o tema da religião, mas sim para protestar contra a forma como o próprio programa do Provedor tratou o tema e os protestos dos telespectadores.

Em primeiro lugar, é surpreendente que tenham sido entrevistados telespectadores que não tinham qualquer queixa a apresentar contra a forma como a RTP trata o tema da religião, como foi o caso dos telespectadores Manuel Clemente e António Marujo. As intervenções destes dois católicos empenhados constituíram, objectivamente, uma defesa oficiosa da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Sucede que as críticas feitas pela ARL, assim como por outros cidadãos, não se dirigiram à referida instituição, mas sim à RTP. Num regime de separação entre o Estado e as igrejas como o vigente em Portugal, é inadmissível que seja conferido, pela televisão estatal, um «direito de resposta» a uma comunidade religiosa, seja ela qual for,quando
as queixas se dirigiam à RTP. Chamamos ainda a sua atenção para a diferença de tratamento que esta situação constitui quando se considera o precedente do programa do Provedor emitido no dia 13 de Outubro, em que se criticava a cobertura excessiva dada ao futebol, e para o qual não foram convidados representantes da Federação Portuguesa de Futebol nem adeptos da referida modalidade que se queixassem da não transmissão de alguns jogos de futebol. O seu programa, senhor Provedor, deu mais tempo a defensores da ICAR exteriores à RTP do que a genuínos protestos dos telespectadores.

Em segundo lugar, achamos revelador que, tendo sido dada tanta enfase ao argumento do número (presumido) de católicos, não tenha sido transmitido o trecho dos argumentos do representante da ARL respondendo (antecipadamente!) que esse critério não é seguido nem na política (onde não se organizam debates com um número de representantes de cada partido proporcional aos resultados das últimas eleições), nem no futebol. Acrescente-se que os cinco milhões de peregrinos anuais alegados pelo bispo católico Manuel Clemente incluem, obviamente, pessoas que visitam Fátima duas ou mais vezes por ano, e que portanto só com grande desonestidade intelectual se pode daí concluir que teremos cinco milhões de católicos praticantes em Portugal (note-se que a própria ICAR não reclamou, no seu «censo» dominical de 2001, mais do que 1,9 milhões de católicos praticantes).

Em terceiro lugar, continuamos sem saber se considera normal que o programa «A Força do Espírito», emitido na noite de 14 de Outubro, tenha incluído quatro representantes católicos praticantes contra um único não católico, como também não vimos respondida a questão do porquê de jamais ser dada voz àqueles que criticam explicitamente a visão fatimista das «aparições». Será que, apesar de a liberdade de expressão estar consagrada constitucionalmente (ou será justamente por essa razão?), a RTP se auto-atribuiu a missão de proteger a ICAR dos seus críticos?

Em quarto lugar, ficámos sem saber o que pensa o Provedor da atitude dos jornalistas da RTP perante os responsáveis religiosos da ICAR, concretamente ao evitarem, em entrevistas, perguntas difíceis ou incómodas, atitude essa que seria considerada escandalosamente subserviente (e com boa razão), se fosse adoptada perante o Presidente da República ou perante o Primeiro Ministro.

Senhor Provedor, lamentamos ter de concluir que o seu programa confirmou que a RTP pratica uma promoção e defesa sistemáticas da ICAR que desvirtuam a missão de serviço público da RTP, e que envergonham a Constituição da nossa República.

Com os meus cumprimentos,

Ricardo Alves (Secretário da Direcção)

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Carta ao Provedor dos telespectadores da RTP

Arquivado em: Actividade R&L, Laicidade, R&L/Cartas e petições.

Excelentíssimo Senhor
Provedor dos Telespectadores da RTP – Rádio e Televisão de Portugal,

Sr. Professor José Manuel Paquete de Oliveira

7-11-2007

Senhor Provedor dos Telespectadores da RTP,

A Associação República e Laicidade gostaria de levantar duas questões relacionadas com a forma como a televisão pública, e em particular o seu canal 1, acompanhou a inauguração de um novo templo católico em Fátima durante o fim de semana de 13 e 14 de Outubro de 2007.

Em primeiro lugar, parece-nos que a proporção da programação ocupada por programas exclusivamente dedicados à temática do santuário católico de Fátima terá sido extremamente exagerada. Efectivamente, e segundo as informações disponibilizadas pela própria RTP, a programação do canal RTP 1 para o Sábado, dia 13 de Outubro, previa sete horas e quinze minutos, num total de vinte e uma horas e quarenta e cinco minutos de emissão, a dedicar exclusivamente a programas sobre essa temática (portanto, 33% do tempo total de emissão); no Domingo, dia 14 de Outubro de 2007, oito horas e vinte minutos num total de vinte horas e trinta minutos (portanto, 40% do tempo total de emissão). Excluímos destes cálculos o espaço ocupado por este assunto noutros programas, nomeadamente os noticiosos. E notamos que não houve em Fátima, nesse fim de semana, qualquer novidade noticiosa para além da inauguração de um novo templo católico. Entendemos que, portanto, não se justificava esta monopolização da emissão do canal RTP 1, que se transformou objectivamente em proselitismo a favor de um santuário que, mesmo dentro da confissão religiosa em que se insere, está longe de ser pacífico.

Em segundo lugar, entendemos que os programas sobre esta temática foram desequilibrados e parciais, e que silenciaram os pontos de vistas críticos ou meramente discordantes da visão «ortodoxa» dos acontecimentos de Fátima em 1917, e do culto que actualmente tem lugar na Cova da Iria. Gostaríamos de lhe perguntar, em particular, se se pode considerar que um programa como o debate «A Força do Espírito», emitido na noite de Domingo, satisfez a obrigação de pluralismo da RTP quando, entre os cinco convidados, três eram sacerdotes católicos, um quarto era um leigo católico, e apenas um não era católico praticante. A propósito do mesmo programa, gostaríamos de lhe perguntar se considera que a apresentadora cumpriu a sua obrigação de neutralidade em matéria religiosa.

Senhor Provedor, insistimos em recordar que a RTP, uma televisão de serviço público, não pode estar ao serviço de nenhuma confissão religiosa em particular, e que deve também respeitar a diversidade de convicções em matéria religiosa existente na sociedade portuguesa.

Com os nossos melhores cumprimentos,

A bem da República,

Ricardo Alves (Secretário da Direcção)

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Papa dá razão a R&L: Igreja portuguesa é clericalista…!

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PAPA CONFIRMA: IGREJA CATÓLICA PORTUGUESA ENFERMA DE CLERICALISMO

Na associação República e Laicidade sempre estivemos conscientes do clericalismo atávico que marca a Igreja Católica Portuguesa; só não estávamos à espera de que fosse o próprio Papa, durante uma visita dos bispos portugueses ao Vaticano, a vir apontar-lhes esse «ponto fraco»: “É preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a função do clero e do laicado”


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ver:

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Haverá ainda quem acredite ?

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HAVERÁ AINDA QUEM OS OIÇA E SEJA CAPAZ ACREDITAR?

Quem os ouvir mas haverá ainda quem verdadeiramente os oiça? quem os tome mesmo a sério? , quem ainda tiver paciência para ouvir o actual discurso dos bispos e dos cardeais da Igreja Católica Romana, há-de pensar que, por todo o lado, neste nosso mundo de hoje e em nome de uma “sociedade aberta”, os «laicos» tomaram o poder, o «laicismo» transformou-se em «religião de Estado» e que, perseguidas e acossadas, as religiões todas as religiões, com o catolicismo na dianteira tiveram que se remeter à discrição das sacristias, quando não foram mesmo forçadas a recolher-se na escuridão clandestina das catacumbas.

Que fazer, então, perante esta desgraça? Como actuar perante aqueles que, “em nome de uma sociedade tolerante e respeitosa, impõem como único valor comum a negação de todo e qualquer valor real e permanentemente válido”?

A resposta é simples, quase evidente: “Face a tais pretenções, o mínimo que podemos [nós, os católicos] fazer é rebelar-nos”!!!

E espantoso!!! estas fantásticas afirmações foram proferidas pelo cardeal Tarcísio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, ontem, em Fátima, perante uma multidão de milhares de peregrinos mais ou menos anónimos e de inúmeras individualidades oficiais de todo o tipo, com transmissão directa pelas rádios e pelas televisões

Mas, depois de ser obrigado a ver e a ouvir, através dos meios de comunicação do Estado (e não só), durante horas e horas e horas a fio, as cerimónias do «13 de Outubro» em Fátima, haverá ainda quem possa levar a sério este discurso?

Entretanto, inauguram a «Basílica da Sagrada Família» 9000 lugares sentados, a quarta igreja maior do mundo!!!

fatima-2007

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97 anos do 5/Outubro/1910 - VIVA A REPÚBLICA PORTUGUESA !

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  • Mandou-me procurar ?
  • Passe cidadão ! (*)

 

VIVA A REPÚBLICA PORTUGUESA !!!

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(*) senha e contra-senha utilizadas pelos revolucionários republicanos de 1910.

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Falta concretizar a República

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O jornal «Correio do Minho» publica hoje este interessante e oportuno texto:

FALTA CONCRETIZAR A REPÚBLICA

Comemora-se a 5 de Outubro próximo mais um aniversário da implantação da República Portuguesa, mais concretamente o nonagésimo sétimo. No entanto, apesar de se tratar de uma data já enraizada na nossa sociedade, muitas pessoas continuam a passar ao lado do real significado deste dia, teimando em circunscrever esta alteração profunda da nossa sociedade a uma mera mudança de agentes políticos.

Mas na verdade foi mais do que isso. Foi, indubitavelmente, muito mais. A República traz consigo um conjunto de valores seculares da maior importância, que foram decisivos para a alteração a nível mundial dos padrões sociais, que permitiram a passagem de uma sociedade tradicional, refém de cultos e classes, para uma sociedade moderna e progressista, onde o homem comum desempenha o papel principal.

Esta mudança afectou inclusive as próprias monarquias hoje existentes, nomeadamente as ocidentais, que se foram, de alguma forma, republicanizando, absorvendo o ideário republicano nas suas constituições, transferindo o poder dos monarcas para os parlamentos democraticamente eleitos, limitando-lhes o papel a algo quase simbólico nos dias de hoje.

É claro que em muitos casos, nomeadamente em países em vias de desenvolvimento, o uso vão da palavra República serviu também para fazer exactamente o contrário, isto é, colocar ditadores à frente dos destinos de alguns países via “vontade popular”, governando como autênticos monarcas, de forma autocrática, subvertendo os elementares princípios republicanos.

É assim evidente que confrontar nos dias de hoje república e monarquia no plano das diferenças entre os Estados é inconsequente. As verdadeiras diferenças estão nos princípios de governação e na sua interiorização pelos cidadãos, independentemente do modelo assumido. De facto em Portugal temos um excelente exemplo disso mesmo, com a ditadura de Salazar, na qual o país oficialmente se assumia como República, mas na prática abandonava quase na íntegra os valores que presidiram à sua implantação,  como por exemplo a laicidade e a legitimidade democrática do Estado.

E se Abril de 74 veio recuperar muitos desses princípios adormecidos pela longa ditadura, a verdade é que de algum modo ainda falta concretizar a República na sua totalidade, nomeadamente no que toca à subordinação do interesse individual ao colectivo.

Compreendo que tal desígnio pareça complicado, sobretudo atendendo à cada vez maior competitividade existente num mundo globalizado, onde as pessoas instintivamente pensam cada vez mais em si em detrimento da colectividade.

No entanto, se fizermos uma análise atenta, facilmente constatamos que as sociedades que apresentam os melhores índices de desenvolvimento humano são precisamente as que demonstram maiores níveis de participação colectiva, onde o cidadão anónimo é parte integrante da tomada de decisão, onde o interesse colectivo é, de forma livre, colocado invariavelmente à frente do interesse individual.

E isto demonstra-nos inequivocamente a actualidade do pensamento republicano e a nossa necessidade, enquanto país, de concretizarmos a implantação que se iniciou há 97 anos, celebrando a Liberdade, como direito fundamental do homem, a Igualdade como Lei, perante a qual todos somos iguais, a Laicidade do Estado como  garante único da liberdade de culto, respeitadora das crenças de cada um e inimiga da intolerância, a Democracia como instrumento de participação plena dos cidadãos na vida comunitária, o Interesse Colectivo como única forma de garantirmos a prosperidade das gerações actuais e futuras.

Os ideais republicanos ensinam-nos a pensar além de nós próprios, a ter uma atitude mais interveniente, mais altruísta, em prol da sociedade de hoje e de amanhã. Vamos aplicar esses ensinamentos. A República portuguesa está aí, à espera de ser concretizada, por cada um de nós, para todos nós.

Artur Boaventura da Silva

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