Quem pergunta quer saber… (continuação)

IPSAR UM PECULIAR ESTATUTO DE 1952… !

Ainda no seguimento da carta enviada pela associação R&L ao Ministro das Finanças, fomos procurar o estatuto por que se rege o IPSAR, e deparámo-nos com uma situação deveras peculiar, tendo em vista o facto de se tratar de uma instituição que tem muito simplesmente em vista manter ao culto uma igreja arquitectonicamente notável, diga-se ; gerir uma biblioteca; realizar cursos de língua e cultura portuguesa, promover exposições e concertos e assegurar alojamento a alguns bolseiros (não sabemos quantos nem quais os critérios que presidem à sua escolha).

Na verdade, o IPSAR, além de ter necessariamente como Reitor um sacerdote português católico, entenda-se proposto pelo embaixador de Portugal junto da Santa Sé, tem ainda outras curiosas prorrogativas, tais como a de estar sob a «protecção» do mesmo embaixador, a quem também compete a especial missão de “patrocinar os objectivos espirituais e materiais da instituição” e que também “poderá tomar quaisquer providências extraordinárias a bem dos interesses da instituição, justificando-as imediatamente perante o Governo”…

Originais e peculiares prorrogativas, na verdade, para um mero instituto cultural do Estado Português no estrangeiro !

Porque esse estatuto data de 1952 de plena época salazarista, portanto –, de um tempo em que o Estado Português e a Igreja Católica mantinham uma relação muitíssimo estreita, aqui o deixamos inteiramente exposto ao nosso olhar de 2006 – supostamente mais laico…!!!

acesso a: Estatutos do IPSAR arquivo R&L (pdf)

acesso a: IPSAR no Anuário do Ministério das Finanças de 2006 arquivo R&L (pdf)

3 Comments

  • joao mateus wrote:

    situacao que urge teminar.Inadmissivel e delicado comentar dado o insolito.Ha responsaveis que pelo seu silencio cumplice nao podem pedir impunidade.A divulgacao dos seus nomes nao pode ser recusada,dados os antecedentes.

  • Os vossos argumentos parecem-me sinceramente válidos. Mas espero que o dinheiro dos meus impostos seja gasto nestas “peculiares prorrogativas? que o nosso Estado tem. Nestas não me importo absolutamente nada (claro está que eu não me importo mas os senhores têm todo o direito de se preocuparem) até porque este “…mero instituto cultural do Estado Português no estrangeiro!” é um bom exemplo de que Portugal sempre tem alguns meios culturais de importância extramuros, deixando ficar para trás o “mero”. Concordo com as vossas preocupações laicas (já que não têm nada mais interessante para fazer), é verdade que somos um país laico e há a separação entre Estado e Igreja mas sinceramente prefiro que o meu Estado gaste “mal? o meu dinheiro nas instituições que fazem cultura (estando ou não ao serviço dos Altíssimos ou Baixíssimos) do que nas instituições que fazem o Nada (e nós temos tantas…talvez até conheçam algumas ou façam parte delas). Visto que se gasta tanto e tão mal pelo nosso país fora (e os senhores pouco se preocupam com isso) laico ou não eu quero é que haja cultura portuguesa de qualidade na Aldeia Global. (E há tão pouca!!!)

    Já agora (Só para me divertir) …os senhores sabem que, a seu tempo, terão tudo como sonham! Laicidade, Laicidade, Laicidade… é para aí que caminhamos (já podem dormir mais descansados) e se pensarem um pouquinho ou “poucão? verão que, afinal é a vossa Religião, sendo Afonso Costa uns dos Santos a adorar. (Isto tem piada!!!) A seu tempo vocês mesmos serão os mártires da Santa Madre Igreja Laicidade cada um dos quais com as respectivas Basílicas de Homenagem e Culto… vai ser engraçadíssimo. (Ironias)

    “por uma república secular e laica, por uma sociedade livre, aberta, inclusiva e justa?

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