Nas «Cartas ao Director» do Público:
LAICIDADE… E HUMANIDADE
Os jornais noticiam que um movimento chamado “República e Laicidade” se insurge e exige medidas das autoridades contra as excursões de idosos a Fátima, organizadas por alguns municípios, chamando-lhes “práticas de caciquismo local, assentes em escandalosa promiscuidade entre política e religião”. O movimento alega que, ao custear os passeios a Fátima, os municípios estão a violar o princípio da laicidade do Estado e da liberdade religiosa.
Com o ardor de todos os fundamentalistas o referido movimento confunde duas questões completamente diferentes: a legitimidade de as câmaras oferecerem excursões a idosos; a legitimidade de o destino ser Fátima.
Num país como é felizmente o nosso, em que os órgãos do poder local são democraticamente eleitos pelos cidadãos, poderemos pôr ao leitor as seguintes questões:
- É legítimo privar os idosos do concelho de alguns momentos alegres nas suas vidas tristes que lhes podem ser proporcionados nestas excursões feitas à custa das contribuições dos munícipes ou seja, do leitor desta carta, entre outros?
- É legítimo obrigar os idosos a não irem onde eles querem, substituindo, por exemplo, Fátima pela visita ao monumento a Bernardino Machado em Famalicão?
- É legítimo supor que as excursões de idosos têm mais intenção e efeito eleitoralista do que as algumas rotundas e “requalifìcações”?
Ficam postas ao leitor estas três questões. Se as respostas forem “não”, mande passear os fundamentalistas do laicismo. Como todos os fundamentalistas, eles ignoram a democracia e desprezam a humanidade na sua essência real.
[jornal «Público», 26/09/06, p.4]
acesso à notícia: arquivo R&L (pdf)



aife | 27-Set-06 at 7:48 pm | Permalink
António Sarmento defende as viagens organizadas pelas autarquias a Fátima, colocando estas falaciosas «questões» aos leitores do Público.
Tudo pela «felicidade» dos nossos cidadãos que se encontram na terçeira idade.
Espero o mesmo entusiasmo e defesa da «felicidade» da parte de António Sarmento, quando as autarquias organizarem idas aos melhores bordéis do país com direito a prescrições personalizadas de Viagra a todos os participantes. Afinal… Não vemos todos os dias, visivelmente, elementos da terçeira idade a procurarem a «felicidade» em lugares arriscados e perigosos?
A felicidade de uns é o pecado de outros…
Sendo difícil e até maligno, decidir como os outros devem ser felizes, podemos perguntar-mos: Como podemos então construir um espaço onde vivamos e procuremos a felicidade em comum? Só colocando a busca da felicidade na esfera pessoal e privada.
Ao estado no máximo podemos delegar que este propicie as condições para que tal seja feito em segurança, justiça e igualdade. O resto depende de uma perspectiva e busca individual. Não ponhamos o estado onde este não se deve imiscuir. Muitas das pessoas que seguem nestas «excursões de fé» vão por pressão de grupo, por desespero cumprindo promessas pessoais relacionadas com problemas pessoais e familiares ou simplesmente para aproveitar a «borla» e roubar carteiras (facto que já testemunhei).
Desconfiai das multidões, nunca encontrareis a virtude nelas. E ainda menos nos pastores que anseiam por elas e por as encaminharem…
Jorge Sobreiro | 15-Fev-07 at 2:31 am | Permalink
O meu comentário é muito simples: as autarquias são livres de gerir os seus fundos. é ao governo que prestam contas. o facto de organizarem passeios não me causa problemas. são sempre, para os idosos, momentos de confraternização.
O FACTO DE SEREM A FÁTIMA NÃO FERE EM NADA A LAICIDADE DO ESTADO. Organizam passeios a Fátima como podiam realizar a outro destino qualquer.
admin | 15-Fev-07 at 11:59 am | Permalink
«as autarquias são livres de gerir os seus fundos», então é pela corrupção?