R&L/participação – Felgueiras-Fátima – ida-e-volta [21/09/06]

FELGUEIRAS-F?TIMA ida-e-volta

Nesta data remetemos às seguintes entidades:

  • Ministro da Administração Interna
  • Ministro das Finanças
  • Inspector Geral da Administração do Território
  • Inspector Geral da Administração Interna
  • Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa
  • Presidente do Tribunal de Contas
  • Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses

o ofício seguinte:

Ex.mo Senhor,

Herdeiras, ainda, de um «Antigo Regime», assumidamente fundado na aliança do Trono com o Altar, e do período do «Estado Novo», que deixou perpetuar – e até favoreceu – idêntica cumplicidade, perduram, hoje ainda, em pleno século XXI e mais de trinta anos decorridos sobre o 25 de Abril e o estabelecimento do regime republicano, democrático e laico que presentemente vigora em Portugal, práticas graves de «caciquismo» local, assentes em idêntica e escandalosa – e, em nosso entender, claramente inconstitucional – promiscuidade entre política e religião.

Essas práticas implicam ainda, frequentemente, vultosas despesas para o erário público – para os orçamentos autárquicos, mais concretamente –, o que, em tempos de contenção, como aqueles que estamos agora a viver, ainda tornam mais chocante toda a situação.

Acresce ainda que tais desmandos a uma desejável vivência cívica republicana e laica – uma vivência em que a esfera do político e do religioso devem ser clara e saudavelmente separadas –, em vez de estarem a diminuir de expressão e de tenderem a desaparecer, antes parecem propender a multiplicar-se em diferentes iniciativas de forte vertente populista, promovidas, a pretextos vários, por um número também aparentemente crescente de autarquias das nossas cidades, vilas e aldeias.

De todas essas iniciativas, as mais correntes – e também as mais concorridas – serão, porventura, as grandes jornadas colectivas de expressão religiosa, de onde sobressaem, sem dúvida, as peregrinações a Fátima, excursões que envolvem milhares de pessoas, uma importante logística (dezenas de autocarros, etc.) e vultosos custos.

A situação ocorrida no passado dia 9 de Setembro e que resultou da iniciativa assumida da Câmara Municipal de Felgueiras e da sua Presidente, Dra. Fátima Felgueiras (ver cópias de circulares da autarquia e de panfleto em anexo), envolveu, ao que conseguimos apurar, cerca de 80 autocarros que transportaram aproximadamente 3500 munícipes, maioritariamente idosos (ver Jornal de Notícias de 14/09/2006).

Convictos de que tais eventos se não podem realizar nos termos em que aquele foi levado a cabo e de que, presentemente, é importante fazer alguma pedagogia relativamente a estes comportamentos, aqui anexamos, para os efeitos legais e políticos tidos por oportunos e ajustados, documentação suficiente para ilustrar cabalmente os factos recentemente ocorridos.

Sem outro assunto,

a bem da República,

Luis Manuel Mateus (presidente da direcção)

aceder a documentos axexos (arquivo R&L):

aceder a ofícios da R&L para:

aceder à notícia do JN: documento original / arquivo R&L (pdf)

5 Comments

  • Subscrevo enquanto não houverem objectivos de politica partidária.

  • Firmino Mendes wrote:

    A promiscuidade entre o Estado e a Igreja Católica vem do salazarismo e, infelizmente, nem o 25 de Abril nem a democracia portuguesa conseguiram pôr fim a tal infecção instalada.

  • aife wrote:

    Os tão chamados «fundadores da democracia portuguesa» preferiram tolerar a condição vigente. A «luta ao comunismo» assim o impunha, ao encontrar aliados no altar.

    Ficou a promiscuidade do estado com a igreja católica. Assim como todas as benesses que o salazarismo oferecia aos funcionários públicos, professores universitários, polícias e militares. Era assim que comprava a sua colaboração e corporativamente construia o regime. E o novo regime, egoista e demagogicamente manteve. Foi essa a «evolução» de Abril que traiu quaisquer esperanças da revolução.

    Hoje o défice do orçamento está como está, porque se levou à continuidade lógica as «medidas modernizadoras» dos Sr’s. Soares, Cavaco, Guterres e Barroso a todo esse lastro e clientelismo.

    As camionetas são o sintoma do lastro. E o povinho vai a Fátima porque são as sobras que lhe caem…
    E é o futuro da República que é sacrificado todos os dias, enquanto não abrirmos as janelas e limparmos a casa para termos uma sociedade aberta em que todos os cidadãos possam se olhar cara na cara com respeito e tolerânçia.

    Arquivos da PIDE no domínio público!! J?!!!

  • Bruno Santos wrote:

    Mais um excelente trabalho por parte da RL.

    Cumprimentos,

  • Domingos Machado wrote:

    Entre a tolerância e a reformulação das mentalidades a fronteira é ténue.

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