Março 2004

R&L - Na tomada de posse da Comissão de Exclusão Religiosa

Arquivado em: Lei da Liberdade Religiosa, R&L/Comunicados.

Na tomada de posse da Comissão de Exclusão Religiosa

  1. Reagindo à posse −dada pela Ministra da Justiça no dia 17 de março− da Comissão de Liberdade Religiosa, a Associação República e Laicidade reafirma que um Estado laico não deve reconhecer ou discriminar igreja ou comunidade religiosa alguma, devendo limitar-se a garantir a liberdade de consciência individual −que inclui a liberdade de ter e de não ter religião−, a igualdade de todos os cidadãos perante o Estado −independentemente das suas convicções religiosas ou filosóficas− e a liberdade de associação dentro dos limites legais, conforme aliás é garantido pela Constituição da República Portuguesa.
  2. Nesse sentido, consideramos que o Estado deve assumir a sua absoluta incompetência em questões de religião, sendo por conseguinte inadmissível que se institua uma Comissão estatal com as funções de emitir pareceres sobre o reconhecimento pelo Estado do carácter religioso de uma associação, sobre os acordos a celebrar entre estas associações e o Estado e com atribuições quase policiais de investigar os “novos movimentos religiosos”!
  3. As funções e a composição da Comissão de Liberdade Religiosa −que inclui dois representantes designados directamente pela Igreja Católica e três nomeados ministerialmente por indicação de outras confissões religiosas, e cinco outros escolhidos quer pela sua alegada “competência científica” quer pela sua participação no “diálogo ecuménico” promovido pela Igreja Católica− objectivamente coloca as confissões religiosas minoritárias sob a tutela da Igreja Católica e das confissões que esta decidir reconhecer. Institui-se, desta forma, uma Comissão de Exclusão Religiosa comandada pela Igreja Católica Apostólica Romana (a única Igreja a que a Lei nº16/2001 não se aplica!), que presumivelmente tratará como “seitas” as confissões protestantes pentecostais e outras, algumas das quais estão mais expressivamente implantadas no nosso país do que algumas confissões religiosas representadas na Comissão.
  4. A Associação República e Laicidade recomenda que a Lei da Liberdade Religiosa seja revogada, repondo assim a igualdade constitucional entre os cidadãos, entre as suas associações (religiosas ou não) e assegurando a neutralidade do Estado em matéria religiosa.
  5. Luis Manuel Mateus (Presidente da Direcção)

    Ricardo Gaio Alves (Secretário da Direcção)

    18/3/2004

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R&L - Encenação de «Auto de Fé» na escola de Oleiros (Castelo Branco)?

Arquivado em: Escola, R&L/Comentários.

Encenação de «Auto de Fé» na escola de Oleiros (Castelo Branco)?

A 10 dias da data prevista para o começo da iniciativa «Bíblia Manuscrita Jovem» –uma acção que, em óbvia (e ilegal) atitude de proselitismo, visa envolver “30 mil alunos e professores de 200 escolas” do país na produção de cópias manufacturadas da Bíblia– continuam por esclarecer as questões que, sobre o assunto e há já mais de um mês, a associação República e Laicidade colocou ao Ministro da Educação.

O caso é grave e tanto mais quando se verifica que, nos estabelecimentos de ensino oficial, se continuam impunemente a cometer os maiores atropelos ao princípio da Laicidade que deve enformar a Escola Pública, quando as práticas correntes continuam a ser as da manutenção –ou mesmo do fortalecimento– de uma presença e ingerência abusivas da Igreja Católica nos mais diferentes domínios da vida escolar.

Em entrevista ao jornal Público (edição de 31 de Janeiro), sugerimos que, como contraponto às encenações escolares da actividade dos monges copistas da Bíblia nos «Scriptorium» do séc. XIV –simulações previstas pela iniciativa da Sociedade Bíblica–, nos estabelecimentos de ensino também se providenciasse, por exemplo, à representação de «Processos de Inquisição» e de «Autos de Fé» do Tribunal do Santo Ofício…

Apercebemo-nos entretanto de que a ironia daquela proposta não terá sido bem entendida por todos e, mais concretamente, pela Escola Secundária de Oleiros (Castelo Branco) que, interpretando aparentemente à letra a nossa sugestão, acaba de levantar um processo disciplinar a um dos seus professores (Filosofia) sob a acusação de práticas de «livre pensamento», de «ateísmo» e de «satanismo»…!

Luis Manuel Mateus

(Presidente da Direcção)

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